Santa Violência – Thomas Watson (1620-1686)

Os exercícios de adoração a Deus são contrários à natureza, por isso, deve haver uma provocação de nós mesmos para eles. O movimento da alma para o pecado é natural, mas seu movimento para o céu é violento. A pedra move facilmente ao centro, ela tem uma inata propensão para baixo, mas para elaborar uma pedra de moinho no ar é feito por violência porque é contra a natureza. Assim, levantar o coração ao céu em dever é feito por violência e devemos provocar nós mesmos a isso. O que é provocar nós mesmos ao dever? É nos despertar e nos livrar da preguiça espiritual.

Vamos então examinar se nós colamos para fora essa violência em direção ao céu. Nós separamos um tempo para chamar a nós mesmos para dar conta e julgar nossas evidências com relação ao céu? “Meu espírito fez diligente busca” (Sl 77:6). Nós tomamos nosso coração como um relógio todo em pedaços para ver o que está faltando e consertá-lo? Nós somos curiosamente inquisitivos quanto ao estado de nossas almas? Nós temos medo da graça artificial, assim como temos da felicidade artificial? Nós usamos violência na oração? Há fogo em nosso sacrifício? O vento do Espírito está enchendo nossas velas causando gemidos inexpremíveis (Rm 8:26)? Nós oramos pela manhã como se fôssemos morrer a noite? Nós temos sede do Deus vivo? Nossas almas ampliam em desejos santos? “Não há nada na terra que eu deseje além de Ti” (Sl 73:25). Nós desejamos santidade assim como desejamos o céu? Nós desejamos tanto parecer com Cristo como viver com Cristo? É nosso desejo constante? Esse pulso espiritual está sempre batendo? Nós estamos hábeis em auto-negação? Nós podemos negar nosso conforto, nossos objetivos, nossos interesses? Podemos passar por nossas vontades para cumprir a de Deus? Podemos decapitar nosso pecado amado? Arrancar o olho direito requer violência (Mt 18:9). Nós realmente amamos a Deus? Não é o quanto fazemos, mas o quanto nós amamos. O amor comanda o castelo de nossos corações? A beleza de Cristo e sua doçura nos constrange? (2 Cor 5:14). Nós amamos a Deus mais do que o medo do inferno? Nós mantemos nossa vigilância espiritual? Mantemos espiões em todos os lugares observando nossos pensamentos, nossos olhos e nossa língua? Quando oramos contra o pecado, nós vigiamos contra a tentação? Nós pressionamos após mais degraus de santidade? “Avançando para as coisas que estão diante de mim” (Fil 3:13). Um bom cristão é uma maravilha, ele é o mais contentado e ainda assim o menos satisfeito.  Ele é contentado com um pouco do mundo, mas não satisfeito com um pouco de graça.

Quão violento foi Cristo com relação a nossa salvação! Ele estava em agonia. Ele “continuou toda noite em oração” (Lc 6:12). Ele chorou, jejuou e morreu uma morte violenta. Ele levantou violentamente da sepultura. Cristo foi tão violento por nossa salvação e aqueles que estão intimamente ligados a ele não se tornariam? A violência de Cristo não foi somente satisfatória, mas exemplar. Não foi somente para apaziguar Deus, mas para nos ensinar. Cristo foi violento em morrer para nos ensinar a sermos violentos em crer.

Excerto de Heaven Taken by Storm de Thomas Watson. Disponível em sermonindex.net
Tradução Diego de Andrade. afeicoesdoevangelho.wordpress.com.

Advertisements

About afeicoesdoevangelho

O afeições do evangelho foi criado com o propósito de incentivar as pessoas a buscarem conhecer e viver o Evangelho Cristocêntrico, como fizeram uma grande nuvem de testemunhas (Hebreus 12.1) em outras gerações. Solus Christus!
This entry was posted in Puritanos and tagged , . Bookmark the permalink.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s