Um amor extravagante pelo Senhor Jesus

Ler as Cartas de Samuel Rutherford é entrar em um mundo onde amar ao Senhor Jesus Cristo é uma grande preocupação. Escrevendo para uma moça paroquiana em 1637, ele disse, ‘Cristo é a fonte de vida; mas quem sabe quão profundo é o fundo?… E oh, que justo, único, adorável, e deslumbrante é Jesus.’ Tal linguagem, e, muito mais importante, tanta afeição, parece remota, talvez até mesmo constrangedora, para muitos cristãos de hoje. Nem a nossa linguagem sobre o Salvador, nem o nosso discorrer sobre o Salvador, dá a impressão de que ele é o amor de nossas vidas, Aquele que prezamos e adoramos acima da própria vida. Por que somos tão estranhos ao ardor não constrangido que tanto marcou o relacionamento de Rutherford (e de multidões de cristãos do passado e presente), com o Senhor Jesus?

Uma resposta que às vezes é dada é que nossos temperamentos são culturalmente condicionados e não se pode esperar que sejam ‘abundantes’  e ‘desinibidos’: nós somos Ingleses/Escoceses afinal! Nós não vestimos nossos corações nas nossas luvas1! Tirando o fato que Rutherford era Escocês como você pode ver, essa resposta é uma desculpa patética. Existe uma pequena duvida de que o Senhor tenha dado ao seu mundo uma maravilhosa diversidade cultural e temperamental. Mas, de acordo com nosso Senhor Jesus, a extravagancia do nosso amor a Ele não está condicionada pela genética de nosso temperamento, nem pela geografia de nossa nacionalidade, mas pela nossa compreensão da sua graça para conosco no evangelho!

No seu Evangelho, Lucas conta novamente para nós, nos maiores detalhes, a unção do Senhor Jesus pela “mulher pecadora” (7:36-50). Enquanto a mulher esbanja seu amor no Salvador, Simão, o que acolheu Jesus, diz para si mesmo, “Se esse homem foi um profeta ele saberia quem o está tocando e que tipo de mulher ela é – que ela é uma pecadora”. A resposta de Jesus nos mostra o que realmente importa. Quando ele conclui sua minuciosa exposição do coração de Simão, ele diz, “Entretanto, eu te digo, os muitos pecados dela foram perdoados – porque muito amou. Mas aquele a quem é pouco perdoado pouco ama”. Considere o que o Senhor está dizendo a nós. A razão pela qual a mulher pecadora esbanjou suas afeições tão aberta e extravagantemente no Senhor foi porque ela tinha uma profunda noção da maravilha do perdão dos pecados. A razão pela qual nós amamos o nosso Salvador tão hesitante e discretamente está no coração, porque nós temos perdido o senso da maravilha e bem-aventurança e glória do perdão dos nossos pecados.
É um senso comum evangélico que “o sangue de Jesus Cristo nos limpa de todo o pecado”. Nós somos capazes de falar sobre Cristo e sobre o evangelho, e para minha grande vergonha, pregar sobre esses assuntos, e não ser cativados pela glória absoluta da divina misericórdia. Nós cantamos sobre a “Maravilhosa Graça”, mas verdade seja dita, o que é tão “maravilhoso” para nós sobre a graça de Deus perdoadora em Cristo? “Aquele que pouco é perdoado pouco ama”. Não tem nada a ver, no coração, com nacionalidade ou genética; tem tudo a ver com compreender a glória da cruz e a maravilha de ser um pecador perdoado, um amigo e filho do vivo, três vezes santo, e triuno Deus.

Como, então, nós podemos começar a amá-lo melhor? Como nós podemos amá-lo mais ardentemente, mais extravagantemente e menos auto conscientemente? Não há uma fórmula, não há experiências fora deste mundo para desenvolver. Simplesmente isso: Considere Jesus! Contemple o Calvário! Faça o tempo e gaste tempo para meditar na graça maravilhosa de Deus aos pecadores merecedores do inferno.

Não há substituto por amar a Cristo. Deixe Rutherford ter a última palavra:

Dê a Cristo o seu amor puro: você não pode colocar o seu amor e coração em melhores mãos. Oh! Se você o conhecesse e visse sua beleza, seu amor, sua afeição, seu coração, seus desejos fechariam com ele e se uniriam a ele… Oh justo sol, e justa lua, e justas estrelas, e justas flores, e justas rosas, e justos lírios, e justas criaturas, mas oh dez mil vezes mais justo é o Senhor Jesus.

  1. Significa não fazer o coração conhecido para todo mundo.

By Iain H. Murray. Translated with permission. © 2003 Banner of Truth. All rights reserved. Website: www.banneroftruth.co.uk. Original: An Extravagant Love for the Lord Jesus.

Traduzido por Cecília Vasconcelos. Revisado por Diego de Andrade. afeicoesdoevangelho@gmail.com. Original: Um amor extravagante pelo Senhor Jesus.

O leitor tem permissão para reproduzir esse conteúdo desde que não o altere, informe os créditos de autoria e tradução, e não use para fins comerciais.

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O afeições do evangelho foi criado com o propósito de incentivar as pessoas a buscarem conhecer e viver o Evangelho Cristocêntrico, como fizeram uma grande nuvem de testemunhas (Hebreus 12.1) em outras gerações. Solus Christus!
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