O Reavivamento Moraviano (1727)

Um dos maiores derramamentos do Espírito desde os dias dos Apóstolos ocorreu na quarta-feira pela manhã, 13 de agosto, 1727, entre os irmãos Morávios em Herrnhut, Alemanha, no estado do Conde Zinzendorf, na Saxônia.

Por séculos os seguidores de John Huss (1373-1415), o martirizado reformador da Boêmia, suportaram perseguição e morte. Fugindo da prisão e tortura, encontraram pelo menos um refúgio na Alemanha onde o Conde Zinzendorf, um jovem e nobre cristão, os deu asilo nos seus estados.

Zinzendorf, na idade de 4 anos, desenhou e assinou o seguinte pacto: “Querido salvador, Tu és meu, e eu serei Teu.” Um dia ele estava na Galeria de Dusseldorf antes da imagem de Cristo. Embaixo, estavam as palavras:

“Isso eu tenho feito por ti,
O que tu tens feito por mim?”

Voltando das brilhantes seduções de Paris, onde lá, entregou-se completamente a Cristo, adotando como seu lema: “Eu tenho uma paixão; é Jesus, só Jesus”.

Falando do que ocorreu naquele memorável 13 de agosto, historiadores contam que ele deixou a Casa de Deus “Sem saber se eles pertenciam a Terra ou se já estavam no céu.” Zindendorf na sua descrição desse dia, disse: “O Salvador permitiu que o Espírito, de quem até então nós não tínhamos nenhuma experiência ou conhecimento, viesse até nós. Até agora nós tínhamos sido líderes e ajudadores. Agora o próprio Espírito Santo tomou total controle de tudo e de todos”.

Todos concordaram que aquilo foi definitiva e inconfundivelmente um derramamento do Espírito Santo sobre toda a congregação, de tal modo maravilhoso que foi absolutamente indescritível. Os irmãos estavam julgando um ao outro; disputas doutrinárias eram comuns; grandes discussões que ameaçaram divisão e discórdia eram a ordem do dia. Ao invés de amor, amargura. Ao invés de união fraternal, conflito.

“Quando Deus quer usar de misericórdia com Seu povo”, diz Matthew Henry, “a primeira coisa que ele faz é colocá-los em oração”. E assim foi em Herrnhut. O mais espiritual entre eles, totalmente insatisfeito com eles, começou a clamar poderosamente a Deus por socorro. Que a oração deles foi respondida há abundante prova. James Montgomery, o maior compositor de hinos deles, deu a seguinte descrição realística:

“Eles andaram com Deus em paz e amor,
Mas falharam uns com os outros;
Enquanto severamente pela fé eles se esforçaram,
Irmão se desentendia com irmão;
Mas Ele em quem eles colocaram confiança,
Que conhecia suas estruturas empoeiradas,
Apiedou-se deles e curou suas fraquezas.

Ele os achou em Sua Casa de Oração,
Com um acordo reuniu;
E então lá revelou Sua presença,
Eles choraram de alegria e tremor:
Um copo eles beberam, um pão eles partiram,
Um batismo eles compartilharam, uma só língua falaram,
Perdoando e perdoados.

Eles iam adiante com línguas em chamas
se deliciando em um abençoado tema;
O amor de Jesus e o Seu nome,
Os filhos de Deus se unindo;
Que amam o nosso tema e permanecem no lema,
Que possamos cumprir a tua lei de amor,
E amar assim como somos amados”.

Salvação pela fé

A primeira experiência que os irmãos reavivados constantemente enfatizaram e que foi passada através de Wesley para os Metodistas foi o conhecimento definitivo da salvação pela fé em Cristo somente. Eles descobriram que a igreja não poderia os salvar; que não havia salvação nos credos, doutrinas ou dogmas; que bons trabalhos, uma vida moral, guardar os mandamentos, orando e lendo a Bíblia, não poderiam ajudar; muito menos cultura, caráter ou conduta. Eles descobriram que só Cristo poderia salvar; que Ele estava disposto e capaz de receber pecadores em qualquer momento; que justificação, perdão de pecados, nascer de novo etc. eram experiências instantâneas recebidas no momento que o pecador acreditava em Cristo; que salvação é pela graça e através da fé, à parte das obras da lei; que quando um homem é salvo ele tem paz com Deus, e que ele recebe a segurança da salvação pelo testemunho do Espírito Santo em seu coração.

A segunda experiência que aconteceu aos irmãos foi uma pessoal unção do Espírito Santo para a vida e serviço. No poder daquela unção eles saíram e realizaram questões impossíveis.

Resultados do derramamento

O primeiro dos dois grandes resultados foram hinos e músicas espirituais. Nenhuma igreja, em comparação aos seus números, já produziram tantos hinos como a dos morávios. Ainda depois de dois séculos ainda continuamos cantando os seus hinos. Muitos dos seus hinos eram orações para Cristo. Muitas delas são expressões de alegria e gratidão pelo que Ele tem feito. Nelas, eles retratam os sofrimentos de Cristo por pecadores na cruz. Seu sangue derramado é o tema central das suas canções. Praticamente todos os seus hinos são hinos das suas próprias experiências da salvação e bênçãos espirituais. E o que é mais natural para o coração do que se quebrantar em alegre louvor e amor por Aquele que tem feito tanto!

O outro resultado marcante do reavivamento dos morávios em Herrnhut foi a visão mundial de missões.
Essa pequena igreja em vinte anos, diz Dr. Warnek, teve mais missiões do que todas as igrejas evangélicas tem tido em dois séculos. Esse fervor missionário foi resultado do poderoso derramamento em Herrnhut e esta nova e inextinguível paixão que controlou todo o movimento é mais impressionantemente contada pelo próprio Conde de Zinzendorf:

“Exortou por amor, à todas as nações
Da caída raça humana,
Que nós proclamaremos a salvação de Cristo,
E vamos declarar sua graça pelo sangre comprada;
Para mostrá-lo, e retratá-lo,
Na sua forma de morte e beleza,
Que esse seja nosso objetivo e alegre dever”.

De novo, seu dedicado líder, Conde Zindendorf, transmite a eles sua visão com as seguintes palavras:

“Eu estou destinado pelo Senhor a proclamar a mensagem da morte e do sangue de Jesus, não com sabedoria humana, mas com divino poder, desconsiderando minhas próprias consequências pessoais.” Mas, é nas ultimas palavras de Zinzendorf faladas no seu leito de morte que nós entendemos o real espírito do Moravianismo:

“Eu estou indo para o meu Salvador. Eu estou pronto. Não há nada que possa me impedir agora. Eu não consigo dizer o quanto eu amo vocês. Quem teria acreditado que a oração de Cristo, ‘Que todos sejam um’ (Joao 17:11), poderia ter sido tão surpreendentemente cumprida entre nós! Eu só pedi pelos primeiros frutos entre os pagãos e milhares tem sido me dado. Não estamos nós como no céu?! Não vivemos nós como anjos?! O Senhor e os seus servos entendem um ao outro. Eu estou pronto.” Ele morreu na idade de 60 anos e foi sepultado em Herrnhut, com mais de quatro mil ao redor de todo o mundo seguindo seu corpo para a sepultura.

Entre os caribenhos, entre os índios norte-americanos, no frio, margens sombrias da Groenlândia, longe no escuro da África, assim como na América do Sul, e praticamente em todos os países na Europa e Ásia, os morávios plantaram a cruz e ganharam milhares de almas para Jesus Cristo. E tudo isso, lembrando que foi cerca de 50 anos antes do moderno movimento missionário iniciado por William Carey, cuja inspiração veio dos morávios.

Assim como nos dias da igreja primitiva, o Espirito Santo foi derramado sobre eles, e imediatamente “eles foram a todos os lugares pregando a Palavra” (Atos 8:4) – testemunhas de Cristo. E porque eles, assim como Paulo, estavam determinados a saber nada, exceto Cristo e Ele crucificado, eles obtiveram sucesso eminente. Eles pregaram o sangue para as tribos mais selvagens e multidões se tornaram convictas, e se converteram. Foi o espirito expresso no lema de seu grande líder: “Eu tenho uma paixão”, exclamou Zinzendorf, “é Jesus, só Jesus”.

E nós?

E agora vem a questão: E nós? Nós precisamos de um reavivamento? Qual a grande necessidade da igreja dos dias de hoje? Homens, máquinas, dinheiro ou organização? Não. A necessidade suprema de agora é o poderoso derramamento do Espírito Santo. Oh! Que isso possa vir até nós, um espirito de oração tal como veio para os irmãos de Herrnhut há dois séculos, que nós, também, tanto individualmente tanto como igreja, pudéssemos experimentar a unção do Espirito Santo que faria o mundo se maravilhar com os “sinais que seguem!” Queira Deus que assim seja!

By Oswald Smith. The Spirit at Work.
Traduzido por Cecília Vasconcelos. Revisado por Diego de Andrade. afeicoesdoevangelho.wordpress.com.

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O afeições do evangelho foi criado com o propósito de incentivar as pessoas a buscarem conhecer e viver o Evangelho Cristocêntrico, como fizeram uma grande nuvem de testemunhas (Hebreus 12.1) em outras gerações. Solus Christus!
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