Daniel Rowland: O Whitefield do País de Gales – Parte 1

daNo livro “Os puritanos e seus sucessores” de Martin Lloyd Jones, ao falar de George Whitefield e sua pregação Lloyd Jones comenta que conheceu somente um outro pregador  com tanta veemência e vigor quanto Whitefield, seu nome era Daniel Rowland.

Não se sabe muito sobre esse pregador que viveu no País de Gales na época do Grande Avivamento do século XVIII e que foi um dos líderes do Avivamento Metodista Calvinista em Gales. Características de sua pregação são comentadas nos comentários de J. C. Ryle e com mais amplo detalhe sobre sua vida e ministério no livro ‘The Calvinistic Methodist Fathers of Wales” (Os Pais Metodistas Calvinistas de Gales).

Com permissão da Banner of Truth Trust, falaremos nesse website, em três partes, sobre o ministério de Daniel Rowland.

Ministério de Rowland Torna-se Mais Evangélico

 Ele pregava a lei em primeiro lugar, mas, Dr. Lewis escreve:

“Não a lei como um resumo dos mandamentos, mas a lei como a revelação da santidade de Deus. Rowland tinha visto Deus e sentia que ele tinha recebido uma mensagem dEle, por isso falava como tendo autoridade. As pessoas brevemente perceberam que a fonte da vida invencível estava fluindo de Llangeitho. Gradualmente, através de seu trabalho e de outros, o som se espalhou por todo País de Gales. E àqueles que acreditaram no testemunho desse som, seus efeitos foram maiores em nossos dias do que quando veio a notícia da descoberta de ouro na Austrália.”

Quanto tempo ele continuou nesse trovejante e terrível esforço não é conhecido, mas ele viajou muito pelo Principado antes de seu tom mudar. De acordo com a elegia de Williams:

“Cinco países galeses ouviram o trovão,
E com terrível e temível pavor
Caíram com o abate e com o terror
Na terra em montões, como mortos;
Feridas foram tomadas, graves feridas,
Feridas que nenhum mortal poderia curar,
Mas o potente bálsamo do Calvário,
O sangue de Jesus, é remédio sem dúvida.”

Por cinco anos foi pensado dele como o Filho do Trovão e o que traz terror. Em 1739 ele publicou um de seus sermões, seu título era “Leite Espiritual” e o texto 1 Pe 2:2, e embora tenha tido despertamento e elementos de fogo, ainda assim foi muito evangelístico e confortante em tom. É dito que foi Sr. Pugh de Llwynpiod que foi instrumental em efetuar essa mudança nele.

“Querido Sr. Rowland”, ele disse, “pregue o evangelho para as pessoas. Aplique o bálsamo de Gileade à suas feridas espirituais e mostre-os a necessidade de fé no Salvador crucificado”.  “Eu temo que eu mesmo não tenha esta fé, em sua plena força”, foi sua resposta. “Pregue-a até você sentir que você a tem”, respondeu Sr Pgh, “Se você continuar pregar a lei dessa maneira, você vai matar metade da população do país! Você troveja adiante as ameaças da lei e prega tão temerosamente que ninguém pode manter-se em pé diante de você”.

Eu não posso pensar em uma cena mais interessante: Um ministro dissidente, sem inveja ou preconceito, avisando um clérigo da Igreja Anglicana: Alguém que o tem deslocado em popularidade na vizinhança e tem levado sua congregação de grande tamanho. Rowland, por sua vez, foi suficientemente humilde e simples de coração para receber o amável conselho no mesmo espírito em que foi dado e agir nesse sentido. De agora em diante, ele se torna um Filho da Consolação. De acordo com Wiliams, Pantycelyn, novamente:

“Ele declarou o forte terror da lei
Por alguns anos com grande alarme;
Muitas feridas foram assim afligidas,
Então ele cantou com encanto o evangelho;
Ele proclamou a salvação divina,
Plena, completa, suficiente, livre,
Através da morte do Messias
Uma vez por todas na cruz.”

Com essa mudança no tom de seu ministério, os efeitos sobre seus ouvintes mudaram também. Antes, eles desmaiavam com medo de tão apavorados que estavam pelo terror do Juiz e suas almas derretiam dentro deles como cera. O efeito depois disso foi não menos notável, nem de alguma maneira menos poderoso, mas agora eles irrompiam em regozijo e cânticos. Esse era o começo do regozijo pelo qual Llangeitho se tornaria famosa. Parece que Rowland mesmo estava infeliz com os louvores e pulos, ele temia que não fosse completamente puro, que poderia dar ocasião à carne e causar blasfêmia ao inimigo; portanto, ele tentou parar isso e pediu que as pessoas mantivessem controle de suas emoções, porém teria sido mais fácil evitar que a água ferva quando o fogo está queimando sob ela. Quando a congregação tinha sido pressionada à margem do desespero e tinha visto a boca do inferno aberta para engoli-los, então ver o Senhor Jesus em toda sua glória como alto-suficiente Salvador deles era mais do que poderia ser contido. Suas emoções rompiam toda contenção eles tinham que louvar por tamanha salvação. É dito que Rowland dificilmente se reconciliou com o fenômeno toda sua vida, mas ele defendia os que agiam assim em comparação ao inglês morno e indiferente:

“Você, inglês, nos culpa, os galeses, e fala contra nós e diz: ‘Puladores, puladores’, mas nós, os galeses, temos algo para alegar de vocês e mais justamente diremos de vocês: ‘dorminhocos, dorminhocos’”.

Pode ser que nem toda a agitação, o clamor e os gritos de louvor eram plenamente livres da carne e que nem toda emoção, como escorrida da margem do vaso, era o produto do Espírito de Deus, e não é improvável que alguns homens impiedosos ficavam fascinados pela influência e juntavam-se para cantar. Ainda assim, apesar disso, deve-se perceber que a luz que brilhou tão de repente nas mente das pessoas e eles sentiram a libertação do escape da ira de Deus que pressionava como montanhas sobre suas consciências, e que em milhares, a alegria, embora extrema e pouco comum, ainda assim era tão pura e espiritual como qualquer emoção piedosa pode ser na terra. Muitos daqueles que se regozijaram em Llangeitho provaram, por suas vidas piedosas, seus sofrimentos pela fé; e o comprometimento de servir ao Senhor Jesus diante de toda oposição provou que eles nasceram de novo para a vida eterna.

Os efeitos que seguiram o ministério de Daniel Rowland eram agora notáveis. Numa carta que Howell Harris enviou para George Whitefield em 1 de Março de 1743, ele escreveu:

“Eu estava no último domingo na ordenança com o irmão Rowland, onde eu vi, senti e ouvi coisas que eu não posso colocar no papel qualquer ideia a respeito. O poder que continua com ele é incomum. Tais clamores e gemidos de coração contrito, choro silencioso, alegria santa, gritos de alegria que eu nunca vi. Seus ‘Améns’ e gritos de ‘Glória nas alturas’ inflamaria sua alma se você estivesse lá. É muito comum quando ele prega pra multidão e ela cai pelo poder da palavra de Deus, penetrada e ferida, ou é dominada pelo amor de Deus e visões da beleza e excelência de Jesus prostrando-se no chão. A natureza sendo tão sobrepujada pelas visões e alegrias dadas para suas almas nascidas do céu que não pode sustentar-se.  O espírito quase explodindo a casa de barro pra ir pra seu nativo lar…Sua congregação, creio eu, consiste de mais de duas mil pessoas, de onde grande parte são trazidas para gloriosa liberdade e caminham solidamente em clara luz na contínua alegria de Deus sem um momento de escuridão.”

De novo e de novo, em quase todas as cartas nesse tempo Harris refere-se à gloriosa influência acompanhando o ministério de Rowland. Ele repete continuamente que essas influências são indescritíveis. Em uma carta de Llangeitho para seu irmão, escrita no fim do ano de 1742, ele diz:

“Hoje, eu ouvi o querido mano Rowland e tal visão meus olhos nunca tinham visto. Eu não posso enviar qualquer ideia disso. Houve tamanha luz e poder na congregação que não pode ser expressa. Os milhares de pessoas foram de uma igreja para outra, três milhas [de Llangeitho para Llancwnlle, mais provavelmente] cantando e regozijando em Deus, e depois de participar da Ceia do Senhor, eles retornaram a mesma distância para me ouvir a noite. Eu estava fortificado para falar com uma força que eu frequentemente não tinha para cerca de duas mil na estrada principal, até cerca de oito mil à noite. Alguns dos professos carnais, que construíam sobre a areia, vem diariamente sob convicção; as ovelhas crescem e muitas caminham em gloriosa liberdade, o fogo do amor de Deus encontra um lugar em muitos corações; eles apoiam sociedades toda noite e tal é a influência que eles sentem enquanto em oração; eles são frequentemente pegos por um terrível silêncio e em outras vezes a voz de alguém orando é sufocada pelos choros de corações quebrados.”

Isso é típico de todas as cartas de Harris nesse tempo. Ele não pode deixar de expressar sua grande admiração quanto ao poder que acompanha o ministério de seu amigo. Quando, mais tarde, ele ouve Williams, Pantycelyn, e Howell Davies pregarem em Pembrokeshire, o maior

louvor que ele pode conceder sobre eles é dizer que eles tinham partilhado abundantemente do fogo de Llangeitho, e não era somente em casa que Rowland era tão abençoado, mas onde quer que ele fosse. Ele escreveu para Harris em Londres, em 20 de Outubro de 1742:

“A última semana que estou em Carmarthenshire e Glamorgan, e bravas oportunidades eles tiveram; a congregação inteira estava preocupada e tal gritaria que minha voz não pode ser ouvida. Algumas pessoas de qualidade me receberam com respeito incomum. Oh! O que sou eu para que meus ouvidos e olhos devessem ver tais coisas?!”

Em outra carta para um de seus ouvintes que estava em Londres, Rowland escreveu:

“A religião floresce agora em nossas partes. Milhares se reúnem para a Palavra e enquanto sob a Palavra, grande parte deles estão sob tal agonia que seria o bastante para derreter o mais duro coração. Alguns fazem suas coisas para censurá-los e agora eles mesmos estão sob o poder de Deus, eles nada fazem exceto clamar, ‘O que devo fazer?’ etc. ‘Todos vocês se maravilhariam no que nós diariamente vimos e ouvimos. Pois de minha parte eu posso dizer que eu nunca vi tanto poder como tenho visto agora todo dia.”

O resultado desse poderoso ministério e os efeitos que o acompanhavam era para trazer um grande número para Llangeitho de toda parte do país. A pequena, não descrita vila rural tornou-se a Jerusalém de Gales.

Ver também: Daniel Rowland: O Whitefield do País de Gales – Parte 2

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Morgan J., John; Morgan, William. The Calvinistic Methodist Father of Wales. Volume 1. Traduzido para o inglês por John Aaron. Banner of Truth Trust, 2008. P. 70-73.

Traduzido com permissão. © Banner of Truth Trust. All rights reserved. Website: www.banneroftruth.co.uk.

Traduzido por Diego de Andrade. afeicoesdoevangelho@gmail.com. Original: Daniel Rowland: O Whitefield do País de Gales – Parte 1

O leitor tem permissão para reproduzir esse conteúdo desde que não o altere, informe os créditos de autoria e tradução, e não use para fins comerciais.

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