Esqueça sobre Evolução e Inerrância (por um minuto)

“E com relação à evolução?”

Essa foi a questão dela. Foi uma questão que antes deste dia eu estava preparado para responder. Eu tinha lido Ken Ham1 e também Morris training2, e havia assistido a todos os vídeos de Hovind3. Eu poderia ter finalizado isso rapidamente com a geologia do dilúvio, placas tectônicas, a lei da termodinâmica, e com a poeira da lua. E com relação à evolução? Pffft… soft ball4!

Mas não dessa vez. Não foi soft ball. Na verdade, eu estava impelido e determinado que essa bola não teria a chance nem de ser lançada. Eu estava a ponto de ignorar a questão “Em relação à evolução?” pela primeira vez na minha vida. Por quê? Primeiro, eu não estava tão certo sobre o assunto quanto eu costumava ser. Quanto mais eu estudava, mais eu descobria que eu não era um cientista (e que a maioria dos cientistas também não eram)! Segundo, eu não tinha tempo de falar sobre isso. Terceiro (e mais importante), não fazia nenhuma diferença.

O ano era 1998. Minha irmã tinha uma amiga a qual ela queria que eu evangelizasse. Essa amiga era ateísta. Ela acreditava em evolucionismo e não acreditava na Bíblia. Mas ela estava disposta a sentar comigo e conversar por uma hora. A primeira coisa que ela disse foi “E com relação à evolução?” Eu imediatamente respondi “O que sobre isso?” Ela então prosseguiu a explicar para mim como a evolução contesta o Cristianismo. Ela expressou um desejo de ouvir o “lado Cristão” do assunto. Eu disse a ela que, mesmo interessante e importante, isso não fazia a menor diferença agora. “Não faz nenhuma diferença? O que você quer dizer? Isso refuta a sua fé,” ela disse. “Não, não refuta. Existem muitos cristãos que são evolucionistas. Eu não sou um, mas não há necessidade de falar com você sobre evolução. Eu quero falar com você sobre Jesus.” Me levou um tempo para eu convencê-la que a evolução não precisava ser o assunto da noite, mas ela finalmente cedeu e ouviu o que eu tinha para falar sobre Jesus e a sua ressurreição. Nós conversamos por boas duas horas. Ela nunca havia conversado sobre a evolução com Cristãos e dessa forma ela nunca tinha ouvido sobre Jesus e toda a evidência histórica que mostra que ele ressuscitou dos mortos.

Depois que terminamos, nós conversamos um pouco sobre o que significava ser um Cristão (ainda deixando a evolução de lado). Ela saiu com a sua perspectiva de fé muito conturbada. Eu não estava certo que Deus estava fazendo algo com ela naquela noite. Entretanto, ninguém nunca me qualificou como sendo perceptivo. Vinte minutos depois ela ligou para minha irmã em lágrimas. Ela disse que não conseguia parar de chorar desde que foi embora. Ela timidamente perguntou o que ela tinha que fazer em seguida com Jesus. Minha irmã orou com ela no telefone. Dez anos depois essa mulher cristã diz que foi naquela noite que ela acreditou em Cristo.

(A propósito: Depois em sua caminhada cristã, ela tratou sobre a questão da evolução. Eu não tinha nada a ver com isso, mas ela não é mais evolucionista.)

História número dois…

“Eu não acredito na Bíblia” ele disse enquanto empurrava o couro preto da Bíblia de volta sobre a mesa do jantar. “Eu acho que tem erros nela.” Eu empurrei de volta e disse, “Eu não ligo…”

Romênia, 2004. Dois missionários americanos queriam se encontrar comigo para comer (tomates e queijo – uma especiaria da Romênia!). “Nós estávamos imaginando se você se encontraria com esse jovem homem,” eles me perguntaram. “Nós temos nos encontrado com o pai dele por um tempo e nossas conversas têm dado alguns frutos. Mas o filho dele, um pós-graduado muito intelectual, torna as coisas muito mais difíceis para nós. Ele é um ateísta e ele não responde a nada do Evangelho. Toda chance que ele tem, ele enfraquece o nosso trabalho com seu pai. Ele é extremamente antagônico e muito inteligente. Você pode falar com ele?”

Eu tive muitos sentimentos contraditórios sobre isso. Primeiro, eu não sou tão inteligente. E se ele está só procurando por uma vitória, uma pessoa desonesta encontra uma vitória mesmo que do nada. Mas, mais importante, esse jovem não queria ser evangelizado. Ele já ouviu sobre tudo. O que eu falaria a ele que ele ainda não saiba?

Nós nos encontramos naquela noite para jantar. O marido e a esposa missionários nos apresentaram na mesa, depois me deixaram sozinho com ele. Ele parecia muito satisfeito. Da minha perspectiva, ele estava lá para uma partida intelectual e eu era alguém que poderia rapidamente me tornaria a mais um troféu na sua prateleira. Nós tivemos pequenas conversas por dez minutos, depois eu mudei o assunto para o Evangelho. Ele me contou de forma breve a sua história e como ele era um ateísta. “Mesmo sabendo que não há jeito que você me convença que o ateísmo não é verdade,” ele disse, “eu quero ouvir o que você tem para dizer.”

Eu não queria que ele pensasse que era apenas outro cristão ingênuo, então eu comecei com coisas que me fazem duvidar da minha fé. Eu expressei as muitas lutas que eu tenho na minha caminhada cristã. Do silencio de Deus a problemas com leis do Velho Testamento, eu me coloquei sem máscaras. Este é um procedimento normal, com pessoas como ele. Não é só um testemunho honesto, isso serve para antecipar alguns dos problemas que eu suspeitava que ele tivesse os quais estavam o fazendo se segurar no ateísmo. Eu quis que ele chegasse ao ponto onde ele diria para ele mesmo, “se esse homem sabe de todos esses problemas, e é ciente sobre a severidade deles, porque ele continua a acreditar?” E definitivamente nós chegamos lá.

Depois eu comecei a falar com ele sobre a ressureição de Cristo. “Eu sei o que você está pensando,” eu disse. “Porque eu ainda acredito?” “Sim, por quê?” ele respondeu. “Eu não sei o que fazer quanto à ressureição de Cristo. É simples assim.” Depois eu peguei a Bíblia, abri em uma passagem, e deslizei sobre a mesa para ele. Ele olhou para mim com uma expressão de “Eu te peguei!” Sem nem olhar para a Bíblia, ele disse, “eu não acredito na Bíblia,” empurrando de volta sobre a mesa. “Eu acho que tem erros nela.” Eu empurrei de volta e disse, “eu não ligo.” Ele imediatamente empurrou de volta e disse, “você não entende, eu não acredito na inerrância” (ele estava obviamente inteirado da linguagem evangélica teológica). “Eu não ligo,” eu disse empurrando de volta para ele. Mais uma vez ele empurrou de volta sem ter lido a passagem que eu queria que ele lesse, dizendo, “Eu não acredito que a Bíblia seja inspirada.” “Eu não ligo se você não acredita na inspiração ou na inerrância. Eu só quero que você olhe essa passagem nessa antiga carta. Não precisa nem chamar de ‘Bíblia’ ou ‘Escritura’ ou nada como os cristãos chamam. Essa é apenas uma carta do primeiro século que tem o testemunho sobre o qual eu quero falar.” Depois de me encarar por um tempo, sem saber como responder, ele finalmente cedeu e olhou para a passagem. Eu comecei a explicar a ele o contexto da epístola, quando foi escrita e por quem. Depois disso, eu fui para outros documentos do primeiro século (como alguns cristãos chamam de “Novo Testamento”) e os expliquei da mesma maneira. Na próxima hora, nós focamos sobre o estudo histórico da ressureição de Cristo. Nós tratamos a Bíblia como uma coleção de documentos históricos, cada um dos quais por conta própria. Nós deixamos de lado todas as pressuposições cristãs, e discutimos a história de Jesus de um modo que ele nunca havia ouvido antes… Uma pessoa que realmente viveu e eventos que realmente aconteceram, para ambos, nós temos evidencias suficientes.

Na hora que acabamos (poucas horas depois), eu finalmente voltei a comer minha (agora fria) comida. Ele me perguntou se ele poderia ler por apenas um momento. Ele leu por volta de cinco minutos sem dizer uma palavra. Ele olhou para mim e disse, “Existem outras passagens como essa?” “Sim,” eu respondi. “Eu posso ficar com essa Bíblia?” “Sim,” eu respondi novamente. Quando eu olhei para ele, eu estava surpreso em ver as lágrimas em seus olhos. Minha natureza não intuitiva deixou isso escapar de novo. Eu apertei as mãos dele e fui para casa.

No outro dia eu desci para a entrada do hotel que eu estava e eu encontrei o casal de missionários me esperando. As suas expressões faciais eram de grande expectativa. Até meio que me assustou. “Sabe aquele homem com quem você conversou naquela noite?” “Sim,” eu disse. “O que você disse para ele?” eles perguntaram. Eu contei a eles um resumo do que aconteceu. “Bem,” eles disseram, “Alguma coisa mudou nele. Ele leu a sua Bíblia por toda a noite. Ele nos disse essa manhã que ele queria começar a ir para o estudo da Bíblia. Algo mudou nele. Ele parece acreditar agora. O ateísta agora crê!”

Essas duas histórias são ilustrações da importância de manter o “vai ou racha” para as questões da nossa fé quando compartilhamos o Evangelho. As questões das origens, inspiração, e inerrância são muito importantes. Eventualmente, nós precisamos discutir sobre elas. Mas elas não são questões de “vai ou racha.” E elas podem ser usadas para desviar discussões sobre o Evangelho para um debate sem fim e sem frutos. Elas podem até impedi-lo de chegar a Cristo. As duas pessoas acima podem nunca ter realmente ouvido uma real discussão sobre o Evangelho. Os dois eram intelectuais que estavam prontos para debater tantas coisas que não importavam. Eu não preciso convencer que a Bíblia é inspirada ou inerrante. A questão da evolução não importa se só está te impedindo de compartilhar do evangelho. Não me entenda mal, às vezes as pessoas terão legítimas discussões sobre isso e outras coisas que precisam ser tratadas. Mas, às vezes nos precisamos lidar com elas explicando que elas não têm nenhuma influência sobre se Jesus ressuscitou dos mortos. Uma vez estabelecida a ressureição de Cristo, você pode voltar a essas coisas. Mas na nossa apologética, nós precisamos fazer tudo o que podemos para chegar à historicidade da ressureição.

Nota do tradutor:

  1. Kenneth Alfred Ham é um australiano criacionista que faz uma interpretação literal do livro de Gênesis. Ele é presidente do Answers in Genesis (AiG) e do Museu da Criação.
  2. Morris é um autor americano criacionista da terra jovem que faz treinamento em várias igrejas e presidente do Institute for Creation Research.
  3. São vídeos originários do Creation Science Evangelism. Os sete seminários dão um fundamento bíblico sobre cada tópico relacionado à criação, evolução e ciência.
  4. Softball é uma variação mais leve do baseball, e mais popular entre as mulheres. Provavelmente essa expressão está querendo dizer que explicar a evolução é algo simples e fácil de se fazer.

By Michael Patton. Credo House. Copyright © 2013 Parchment and Pen. Traduzido com permissão. Original: Forget About Evolution and Inerrancy (for a Minute)

Traduzido por Cecília Vasconcelos. afeicoesdoevangelho@gmail.com.

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O afeições do evangelho foi criado com o propósito de incentivar as pessoas a buscarem conhecer e viver o Evangelho Cristocêntrico, como fizeram uma grande nuvem de testemunhas (Hebreus 12.1) em outras gerações. Solus Christus!
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