Jonathan Edwards: Narrativa Pessoal de Conversão – Parte 1

Narrativa de Jonathan Edwards sobre seus primeiros anos e testemunho de sua própria fé salvadora em Cristo.

Jonathan_Edwards  Eu tive uma série de preocupações e exercícios sobre a minha alma em minha infância, mas tive mais duas temporadas notáveis ​​de despertamento, antes de eu ter me encontrado com a mudança pela qual fui levado a essas novas disposições, e esse novo senso das coisas, que eu passei a ter desde então. A primeira vez foi quando eu era menino, alguns anos antes de eu ir para a faculdade, em uma época de notável despertar na congregação do meu pai. Eu fui então muito afetado por isso por vários meses, e estive preocupado com as coisas da religião e a salvação da minha alma estando abundante em encargos religiosos. Eu costumava orar cinco vezes por dia, em segredo, e gastar muito tempo em conversa religiosa com outros meninos e costumava me encontrar com eles para orarmos juntos. Eu não sei que tipo de prazer experimentei nessa religião. Minha mente estava muito engajada nisso, eu tinha um prazer muito hipócrita e era esse meu prazer que abundava nos deveres religiosos. Eu me uni com alguns de meus colegas e construímos uma cabana em um pântano, em um local bem afastado, para ser um lugar de oração. E além disso, eu tinha meus locais secretos particulares na floresta, onde eu costumava retirar-me sozinho e fui ao longo do tempo muito afetado por isso. Meus afetos pareciam vivos e facilmente deslocados, e pareceram-me ser parte de mim, quando engajado em deveres religiosos. E eu estou pronto para pensar que muitos são enganados com tais afeições, e com tal espécie de prazer que eu tinha então na religião e confundem isso com graça.

Mas no decorrer do tempo, as minhas convicções e afeições desvaneceram e eu perdi completamente todos esses afetos e prazeres e abandonei minha oração secreta, pelo menos em relação a qualquer realização constante disso, voltei como um cão ao seu vômito e voltei aos caminhos do pecado. Na verdade, eu às vezes estive muito preocupado, especialmente na última parte do meu tempo na faculdade, quando aprouve a Deus, me prender com uma pleurisia, atraves da qual Ele me trouxe para perto do túmulo e me sacudiu sobre o abismo do inferno. E, no entanto, não demorou muito tempo depois de minha recuperação, para eu cair novamente em meus velhos caminhos pecaminosos. Mas Deus não me faria sofrer para continuar em quietude, eu tive grandes e violentas lutas internas, até que, depois de muitos conflitos com inclinações perversas, resoluções repetidas, e títulos que me colocoram debaixo de uma espécie de votos a Deus, fui levado a romper totalmente todos os antigos caminhos perversos, e todas as formas aparentes de pecado conhecido e aplicar-me a buscar salvação, e praticar muitos deveres religiosos, mas sem o tipo de carinho e prazer que eu tinha anteriormente experimentado. Minha preocupação agora era forjada mais por lutas e conflitos interiores, e reflexões pessoais. Mas ainda, parece-me que busquei por uma maneira miserável, o que, por vezes, me remeteu a questão, se alguma vez essa busca havia se demonstrado salvadora, deixando posta a dúvida, se tal miserável busca nunca haveria sucedido. Eu fui levado a buscar salvacão em uma maneira que eu nunca o tinha feito antes; e senti um espírito que separa com todas as coisas do mundo e leva a um interesse em Cristo. Minha preocupação continuou e prevalecia, com muitos exercícios de pensamentos e lutas internas, mas, no entanto, nunca me pareceu adequado expressar essas preocupacões com o nome de terror.

Desde a minha infância, minha mente estava cheia de objeções contra a doutrina da soberania de Deus, na escolha de quem iria para a vida eterna, e rejeitando a quem quisesse, deixando-os eternamente perecer e serem eternamente atormentados no inferno. Ela costumava aparecer como uma doutrina horrível para mim. Mas eu me lembro muito bem do tempo quando eu pareci estar convencido e totalmente satisfeito quanto a essa soberania de Deus e a sua justica nessa condenacao eterna dos homens, de acordo com a sua vontade soberana. Mas nunca pude dar conta, como, nem por que meios, eu fui assim convencido, não pude no minimo imaginar na época, nem muito tempo depois, que não havia qualquer influência extraordinária do Espírito de Deus nisso, mas que agora eu só via mais longe, e minha razão apreendeu a justiça e racionalidade disso. No entanto, minha mente descansou nisto e isso pôs um fim a todas as minhas objeções e picuinhas. E tem havido uma alteração maravilhosa em minha mente, no que diz respeito à doutrina da soberania de Deus, a partir daquele dia até hoje, de modo que eu dificilmente ja encontrei o surgimento de uma objeção contra ela, no sentido mais absoluto, na misericórdia de Deus, espalhando misericordia a quem ele quer mostrar misericórdia, e endurecendo quem ele quer. A soberania absoluta e justica de Deus, no que diz respeito à salvação e perdição, é o que minha mente parece ter certeza tanto quanto de qualquer coisa que eu vejo com meus olhos, pelo menos é assim às vezes. Mas eu tenho muitas vezes, desde a primeira conviccão, um outro tipo de senso de soberania de Deus do que eu tinha então. Tenho muitas vezes desde então não só uma convicção, mas uma prazerosa convicção. A doutrina tem muitas vezes parecido extremamente agradável, brilhante e doce. Soberania absoluta é o que eu amo atribuir a Deus. Mas a minha primeira convicção não era essa.

A primeira ocasiao de que me lembro desse tipo de interiorização, de agradável prazer em Deus e nas coisas divinas que eu vivi desde então, foi na leitura das palavras de I Tm. 1:17. “Assim, ao Rei eterno, imortal, invisível, Deus único, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém!”. Enquanto eu lia essas palavras, elas vieram à minha alma, e era como se fosse difundido através delas, um sentido da glória do Ser Divino, um novo sentido, muito diferente de qualquer coisa que eu já havia experimentado antes. Nunca, quaisquer palavras da Escritura soaram para mim, como essas palavras soaram. Eu pensei comigo mesmo, quão excelente o Senhor era e quão feliz eu deveria ser, se eu pudesse desfrutar desse Deus e ser arrebatado até Ele no céu, e ser como se fosse capturado por Ele para sempre!  E eu continuei dizendo e cantando estas palavras da Escritura para mim mesmo, e fui orar a Deus para que eu pudesse desfrutar dEle e orei de uma maneira bem diferente do que eu costumava orar, com um novo tipo de afeição. Mas nunca veio ao meu pensamento, que havia qualquer coisa espiritual ou da natureza da salvação nisso.

A partir daquela época, eu comecei a ter um novo tipo de compreensão e ideias sobre Cristo, sobre a obra da redenção e sobre a maneira gloriosa de salvação por Ele. Um sentimento interno dessas coisas, às vezes, entrava em meu coração e minha alma era levada a agradáveis ​​vistas e contemplações delas. E minha mente estava muito engajada em gastar meu tempo em ler e meditar sobre Cristo, sobre a beleza e a excelência da sua pessoa, e a maneira encantadora da salvação pela graça nEle.

Eu não encontrei livros tão agradáveis para mim, como aqueles que tratavam desses assuntos. Eu costumava meditar constantemente em Cânticos 2:1, “Eu sou a rosa de Sarom, o lírio dos vales”. As palavras pareciam a mim, docemente representar a ternura e a beleza de Jesus Cristo. Todo o livro de cânticos costumava ser agradável para mim, e eu costumava lê-lo com frequência naqueles tempos, e encontrava, de tempos em tempos, uma doçura interior, que me levava para longe, em minhas meditações. Isso eu não sei como expressar de outra maneira, se não por uma calma, doce abstração da alma de todas as preocupações deste mundo, e às vezes uma espécie de visão, ou ideias fixas e imaginações, de estar sozinho nas montanhas, ou solitário em algum deserto e longe de toda a humanidade, docemente conversando com Cristo e envolvido e capturado em Deus. A sensação que eu tinha das coisas divinas era muitas vezes de uma chama repentina, como se fosse um queimadura doce no meu coração, um ardor de alma, que eu não sei como expressar.

Não muito tempo depois que comecei a experimentar essas coisas, eu contei para o meu pai algumas das coisas que se passavam em minha cabeça. Eu fui bastante tocado pela conversa que tivemos, e quando a conversa acabou, eu caminhei fora de nossa casa sozinho, em um lugar solitário no pasto do meu pai, para meditar. Enquanto eu estava andando lá e olhei para os céus e as nuvens, veio em minha mente tão doce sensação da gloriosa majestade e graça de Deus, que eu não sei como expressar. Pareceu-me vê-las em uma doce conjunção: majestade e mansidão juntas; era uma majestade doce e suave, santa, e também uma majestosa mansidão; uma ternura incrivel, uma alta, grande, e santa ternura.

Depois disso, meu senso das coisas divinas aumentou gradualmente, e se tornou mais e mais vivo, e eu sentia mais daquela ternura interior. A aparência de todas as coisas foi alterada, parecia haver, por assim dizer, um aspecto de doce calma, ou a aparência da glória divina em quase todas as coisas. A excelência de Deus, sua sabedoria, sua pureza e amor, pareciam surgir em cada coisa, no sol, na lua e nas estrelas; nas nuvens e céu azul, na grama, flores, árvores, na água, e toda a natureza que Ele costumava usar para corrigir minha mente sobremaneira. Eu sempre costumava sentar-me e ver a lua por um longo tempo; no dia, passava muito tempo vendo as nuvens e o céu para contemplar a doce glória de Deus nestas coisas, nesse meio tempo, cantando com uma voz baixa minhas contemplações do Criador e Redentor. E praticamente nada, entre todas as obras da natureza, era tão doce para mim como trovões e relâmpagos; antigamente, nada tinha sido tão terrível para mim. Antes, eu costumava ser singularmente apavorado por trovões e ser acometido por terror quando via uma tempestade chegando, mas agora, pelo contrário, isso me alegrava. Eu sentia Deus, por assim dizer, ao primeiro sinal de uma tempestade, e costumava aproveitar a oportunidade, em tais ocasiões, para me auto-corrigir, a fim de ver as nuvens e ver o jogo de relâmpagos, e ouvir a majestosa e terrível voz do trovão de Deus, o que muitas vezes foi muito divertido, levando-me a doces meditações de meu grandioso e glorioso Deus. Quando assim ocorria, sempre parecia natural para mim cantar, ou cantarolar, ou falar meus pensamentos em solilóquios, falando-os com um canto.

Senti então uma grande satisfação, devido ao meu bom estado, mas isso não me contentou. Eu tinha veementes anseios da alma por Deus e Cristo, e por mais santidade, onde meu coração parecia estar cheio e pronto para quebrar, o que muitas vezes trouxe à minha mente as palavras do salmista: “A minha está quebrantada pelos anseios que ela tem” Salmos 119:28a. Eu sempre senti um luto e lamentacões no meu coração por nao ter se voltado para Deus antes, pois eu poderia ter tido mais tempo para crescer na graça. Minha mente estava bastante concentrada em coisas divinas; quase perpetuamente na meditacão nelas. Passei a maior parte do meu tempo pensando em coisas divinas, ano após ano, muitas vezes andando sozinho na floresta e lugares solitários, para meditação, solilóquio, oração e conversa com Deus, e sempre foi meu jeito, em tais momentos, cantar diante de minhas meditações. Eu estava quase constantemente em oração emissiva, onde quer que eu fosse. A oração parecia ser natural para mim, a respiração que dava vazão ao ardor de dentro do meu coração. Os prazeres que eu sentia agora nas coisas da religião, eram totalmente diferentes daquelas mencionadas anteriormente quando era um garoto, e que eu, então não tinha mais noção delas, como um cego de nascenca tem das agradáveis e belas cores . Eles eram mais introspecitvos, puros, animadores da alma e de natureza refrescante. Aqueles prazeres anteriores nunca atingiram o coração e não surgiram a partir de qualquer vislumbre da excelência divina das coisas de Deus, ou qualquer apreciacao de satisfacao da alma e boa vivificaçao que existem nestes prazeres posteriores.

Meu senso das coisas divinas parecia gradualmente aumentar, até que eu fui pregar em Nova York, o que aconteceu cerca de um ano e meio depois que estas coisas começaram, e enquanto eu estava lá, as senti muito mais consciente e intensamente do que eu havia sentido antes. Meus anseios por Deus e por santidade foram aumentados grandemente. Um puro, humilde, santo e sublime Cristianismo apareceu altamente afável a mim. Senti um desejo ardente de ser em tudo um verdadeiro cristão e conformado a imagem abençoada de Cristo, e que eu deveria viver, em todas as coisas, de acordo com os ensinamentos puros, doces e abençoados do evangelho. Eu tive um sedento anseio de progredir nestas coisas, o que me fez perseguir e insistir nelas. Isso era minha luta contínua, dia e noite, e constante busca, como eu deveria ser mais santo e viver mais santamente, e me tornar um filho de Deus e um discípulo de Cristo mais ainda. Agora eu procurava um aumento de graça e de santidade e uma vida santa, com muito mais seriedade, de uma maneira que eu nunca busquei antes. Eu costumava estar em contínuo autoexame, estudar e planejar caminhos e meios possíveis de como eu poderia viver santamente, com muito mais empenho e seriedade, de uma maneira como nunca busquei qualquer coisa na minha vida, mas ainda com uma dependência muito grande na minha própria força, o que mais tarde provou ser um grande prejuízo para mim. Minha experiência não tinha me mostrado ainda, como tem feito desde então, minha extrema debilidade e impotência, em todos os sentidos; e as profundezas sem fim de corrupção secreta e engano que haviam em meu coração. No entanto, eu busquei ansiosamente por mais santidade e conformidade a Cristo.

O céu que eu desejava era um céu de santidade, estar com Deus, e passar a minha eternidade no amor divino e comunhão com Cristo. Minha mente estava bastante tomada com meditações sobre o céu, e os prazeres de lá, e em viver lá em perfeita santidade, humildade e amor: e isso costumava naquele tempo parecer-me uma grande parte da felicidade do céu, onde os santos poderiam expressar seu amor a Cristo. Pareceu-me uma grande obstrução e fardo não conseguir expressar, como eu desejava, o que eu sentia dentro de mim. O ardor dentro de minha alma parecia estar bloqueado e reprimido, e não conseguia flamejar livremente como poderia. Eu costumava imaginar muitas vezes, como este princípio deveria livremente ecoar e expressar-se totalmente no céu. O céu pareceu-me extremamente prazeroso, como um mundo de amor; em que toda a felicidade consistia em viver em um amor puro, humilde, sublime e divino.

Lembro-me dos pensamentos que costumava, então, a ter sobre santidade, e disse a mim mesmo, por vezes, “Eu certamente sei que amo a santidade, como prescreve o evangelho.” Parecia-me que não havia nada nisso, mas isso era arrebatadoramente aprazível e de elevadissima beleza e amabilidade… Uma beleza divina, muito mais pura do que qualquer coisa aqui na terra e que tudo mais era como lama e corrupção em comparação a isso.

Santidade, como eu em seguida escrevi em algumas das minhas meditações sobre isso, pareceu-me ser de uma natureza doce, agradável, encantadora, serena, calma, o que trazia uma pureza inefável, um brilho, tranquilidade e êxtase à alma. Em outras palavras, isso fazia a alma como um campo ou jardim de Deus, com todos os tipos de flores agradáveis​​, tudo aprazível, delicioso, e sem perturbações: apreciando uma doce calma e os vivificantes e suaves feixes do sol. A alma de um verdadeiro cristão, como então escrevi em minhas meditações, parecia como uma pequena flor tão branca como vemos nas primaveras dos anos; pequena e humilde no chão, abrindo o seu coração para receber os feixes agradáveis ​​de glória do sol; regozijando-se como se estivesse em um calmo arrebatamento; difundindo ao seu redor uma doce fragância; permanecendo pacificamente e amorosamente, no meio de outras flores em redor, todas de igual modo abrindo seus corações para beber à luz do sol. Não havia nenhuma parte da santidade, em que eu tivesse tão grande sentido de sua beleza, como a humildade, quebrantamento de coração e pobreza de espírito, e não havia nada que eu desejasse tão ardentemente. Meu coração ansiava por isso, por ficar ofegante diante de Deus, como no pó, de modo que eu pudesse ser nada, e que Deus pudesse ser tudo, para que eu pudesse tornar-me como uma pequena criança.

Enquanto estava em Nova York, eu era, por vezes, muito afetado com reflexões de minha vida passada, considerando como isso foi tardio, que eu começasse a ser verdadeiramente religioso, e como perversamente eu tinha vivido até então, e uma vez entao, chorei abundantemente, por um tempo considerável.

Em 12 de janeiro de 1723 eu fiz uma dedicatória solene de mim mesmo a Deus, e escrevi num papel, entregando-me e tudo que eu tinha para Deus, para ser no futuro, em nenhum aspecto, de mim mesmo, para agir como aquele que nao tinha o direito sobre si mesmo , em qualquer aspecto. E jurei solenemente tomar a Deus por toda a minha porção e felicidade, sem olhar para nada mais como parte da minha felicidade, nem agir como se tivesse algo mais; e tomar sua lei por regra constante da minha obediência: engajado a lutar, com todas as minhas forças, contra o mundo, carne e diabo, até o fim da minha vida. Mas eu não tenho razão para estar infinitamente humilde, quando considero, o quanto eu falhei, em atender a minha obrigação.

Eu, muito frequentemente, costumava me retirar a um lugar deserto, às margens do rio Hudson, a alguma distância da cidade, para meditar nas coisas divinas e ter conversas secretas com Deus, e tinha muitas horas agradaveis lá. Às vezes, o Sr. John Smith e eu andavamos juntos lá, conversavamos sobre as coisas de Deus, e nossa conversa costumava se dirercionar muito para o avanço do reino de Cristo no mundo e as coisas gloriosas que Deus iria realizar em sua igreja nos últimos dias. Tive, então, e outras vezes, maior prazer nas Sagradas Escrituras do que em qualquer outro livro. Muitas vezes enquanto as lia, cada palavra parecia tocar meu coração. Eu sentia uma harmonia entre algo em meu coração, e essas adoraveis e ponderosas palavras. Eu costumava ver, muitas vezes, muita luz exibida por cada frase, e um tão refrescante alimento transmitido, que não podia continuar a ler, e muitas vezes ficava refletindo muito tempo em uma frase, para ver as maravilhas nela contidas, e ainda quase todas as frases pareciam estar cheias de maravilhas.

Depois que eu vim para casa em Windsor, fiquei por muito tempo na disposição de ânimo em que me encontrava quando estava em Nova York, só algumas vezes, eu senti meu coração pronto a afundar, com as lembrancas de meus amigos em Nova York. O meu apoio foi em meditações sobre o estado celestial, como eu menciono em meu Diário de 01 de maio de 1723. Foi um conforto pensar que neste estado, onde há plenitude de alegria, onde reina divindade, calma, e prazeroso amor, sem junção, onde há continuamente as expressões mais aprazíveis deste amor, onde está o prazer das pessoas amadas, sem nunca partirem, onde as pessoas que aparecem tão encantadoras neste mundo vão realmente ser indescritivelmente mais encantadoras e cheias de amor por nós. E como irão docemente se unir os amantes mútuos, para cantar louvores a Deus e ao Cordeiro! Como isso vai nos encher de alegria para pensar, que este gozo, estes exercícios agradáveis, nunca cessarão, mas vão durar por toda a eternidade… Eu continuei muito no mesmo espirito, no geral, de como quando em Nova York, até que eu fui para New Haven, como Tutor da Faculdade: especialmente, uma vez em Bolton, em uma viagem de Boston, enquanto caminhava sozinho nos campos. Depois que eu fui para New Haven, eu afundei na religião, minha mente era desviada de minhas buscas ansiosas por santidade, por algumas coisas, que confundiam muito e distraiam os meus pensamentos.

Em setembro de 1725, eu fiquei doente em New Haven e ao mesmo tempo em que me esforçava para voltar para casa em Windsor, eu estava tão doente na North Village que eu nao tinha como ir alem de onde eu estava por cerca de um quarto de ano. Nesta doença, Deus foi agradável em me visitar novamente com as doces influências de seu Espírito. Minha mente estava muito engajada lá, em meditações divinas e agradáveis, e anseios da alma. Observei que aqueles que vigiavam comigo, esperariam muitas vezes ansiosamente pelo romper da manhã, o que trouxe à minha mente as palavras do salmista, e as quais a minha alma com alegria fez a sua própria língua, A minha alma anseia pelo Senhor, mais do que aqueles que guardam pelo romper da manhã e quando a luz do dia vinha à janela, ela refrescava minha alma, de um dia para o outro. Parecia ser alguma imagem da luz da glória de Deus.

Lembro-me de, nessa época, que eu costumava gastar bastante tempo pela conversão de alguns, com quem eu estava preocupado. Eu poderia honrá-los de bom grado e com prazer ser um servo para eles e me deitar a seus pés, se eles fossem, contudo, verdadeiramente santos. Mas algum tempo depois, eu fui novamente muito desviado com algumas preocupações temporais, que excessivamente tomaram os meus pensamentos, ferindo muito a minha alma, e continuei, através de diversos exercicios, que seriam tediosos de relacionar, o que me deu muito mais experiência de meu próprio coração, do que eu ja havia tido antes…

Desde que cheguei a esta cidade (Northampton), muitas vezes tive doce complacência em Deus, em vista de suas gloriosas perfeições e a excelência de Jesus Cristo. Deus apareceu para mim um Ser glorioso e adoravel, principalmente por conta de sua santidade. A santidade de Deus sempre me pareceu o mais lindo de todos os seus atributos. As doutrinas da soberania absoluta de Deus e da livre graça, em espargir misericórdia a quem Ele iria mostrar misericórdia e absoluta dependência do homem sobre as operações do Espírito Santo de Deus, muitas vezes pareceram-me doutrinas tão doces e gloriosas. Essas doutrinas têm sido muito o meu prazer. A soberania de Deus sempre pareceu para mim como grande parte de sua glória. Tem sido muitas vezes minha alegria me aproximar de Deus e adorá-lo como um Deus soberano e pedir misericórdia soberana dEle.

Eu amei as doutrinas do evangelho, elas tem sido para a minha alma como pastos verdejantes. O evangelho pareceu-me o mais rico tesouro, o tesouro que eu mais desejava e ansiava que ele pudesse habitar ricamente em mim. O caminho da salvação por Cristo pareceu-me, de uma maneira geral, glorioso e excelente, mais agradável e mais bonito. Isso muitas vezes pareceu-me, que isso iria em grande medida estragar o céu, se recebêssemos a salvacão de qualquer outra forma. Esse texto vem muitas vezes me afetando e me encantando: “um homem deve ser um esconderijo contra o vento e um refúgio contra a tempestade…” Is. 32:2

Freqüentemente tem me parecido prazeroso estar unido a Cristo, tê-lo para me liderar e ser um membro de seu corpo, também ter Cristo como meu professor e profeta. Eu muitas vezes penso com doçura, anseios e desencontros de alma, em ser uma criança, agarrando-me a Cristo, para ser liderado por Ele através do deserto deste mundo. Esse texto, em Mat. 18:03, tem sido muitas vezes agradável para mim: “se não vos converterdes e tornardes como crianças…” Gosto de pensar em ir a Cristo para receber a salvação dEle, pobre de espírito e muito vazio do próprio eu, humildemente, exaltando somente a Ele; cortado totalmente da minha própria raiz, a fim de crescer em e a partir de Cristo, ter Deus em Cristo para ser tudo em tudo e viver pela fé no filho de Deus, uma vida de humildade, com confianca sincera nEle. Esse trecho da Escritura tem sido muitas vezes aprazível para mim: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua benignidade e da tua verdade.” Salmos 115:1. E essas palavras de Cristo, em Lucas 10:21, “Naquela mesma hora exultou Jesus no Espírito Santo, e disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos; sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado”. Essa soberania de Deus, na qual Cristo se regozijou, pareceu-me digna de tanta alegria e tal regozijo parecia mostrar-me a excelência de Cristo e de que estado de espirito Ele era.

Traduzido por Raphael Christian M. Pereira. afeicoesdoevangelho.wordpress.com.

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O afeições do evangelho foi criado com o propósito de incentivar as pessoas a buscarem conhecer e viver o Evangelho Cristocêntrico, como fizeram uma grande nuvem de testemunhas (Hebreus 12.1) em outras gerações. Solus Christus!
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