Daniel Rowland: O Whitefield do País de Gales – Parte 3

Rowland como um Pregador

daTodos os elementos de um verdadeiro pregador encontravam-se em Daniel Rowland. Ele tinha a melhor das vozes – penetrante e clara – facilmente capaz de alcançar os limites mais longínquos de uma multidão de vinte mil pessoas… Sua voz podia retratar todo tipo de sentimento e quando expressando as tenras verdades do evangelho, a doçura de seu tom seria dominante. Sua maravilhosa familiaridade com a Bíblia queria dizer que ele tinha uma aljava das melhores flechas próxima a ele continuamente. Ele possuía uma forte e ousada imaginação que criaria imagens vivas às circunstâncias que ele descrevia. Quando pregou uma vez em Llancwnlle sobre os sofrimentos do Salvador, ele sentiu como se o Senhor Jesus em todas as suas feridas e marcas estivesse pessoalmente diante dele e gritou: Oh, pálida face! Oh, veias vazias! Oh, costas feridas! Até que a impressão sobre ele e a congregação fosse quase irresistível.

Seus sermões eram geralmente curtos de meia hora ou quarenta minutos, mas em algumas ocasiões ele se esquecia de si mesmo completamente e pregava por três ou quatro horas. Alguns comentários sugerem que o vigor de Rowland consistia apenas de sua oratória e que seus sermões, aparte dele, seriam composições bastante comuns. Isso é um engano completo. Certamente, a fluência e vida espiritual do pregador adicionariam muito da efetividade do sermão, mas mesmo somente o sermão seria difícil achar algo que se igualasse em qualquer língua. Tome por exemplo “Good News to the Gentiles” (Boas Novas para os Gentios) referindo-se aos homens sábios que procuravam Jesus recém-nascido:

“É triste pensar quão pouco valor alguns veem em Jesus Cristo; eles não virão da casa ao lado para ver sua face. Quão longe alguns viajarão para o mercado quando as necessidades da vida são insuficientes? As almas de muitos tem sofrido por muito tempo sem serem satisfeitas. Eu desejo falar em nome de suas almas e alegar que eles poderiam ter um pouco de pão, no mínimo, uma vez por semana. Se eles tivessem somente isso, eu esperaria que eles ficassem mais fortes e procurassem por mais. Os homens sábios andaram mais quilômetros do que você pode medir.

OBJEÇÃO: Se você pudesse nos mostrar Cristo, nós ficaríamos contentes em vir.

Você pode vê-lo e mais gloriosamente do que os homens sábios jamais viram. Nós mostramos Cristo para você no evangelho, não para os olhos da carne, mas para a alma; não deitado em uma manjedoura ou orando no monte, ou sangrando no jardim, ou morrendo na cruz, mas sentado no seu trono, glorioso nos céus. Se alguém entrasse num quarto elegante, cheio de belos quadros, mas com as cortinas fechadas, ele não seria capaz de ver nada, mas se alguém abrisse as cortinas, tudo seria revelado. Assim é como Cristo aparece no Evangelho, mas alguns tem um véu, uma tampa sobre seus olhos não podendo ver. Oh! Ore para que o véu seja rasgado, a tampa seja retirada, então você vai ver a excelência do Senhor Jesus em sua Igreja.”

Quando tentando descrever Rowland para um amigo inglês, Thomas Charles escreveu:

“Rowland pregava arrependimento até que as pessoas se arrependessem; pregava fé até que os homens acreditassem; ele retratava o pecado de maneira tão repugnante que todos detestavam o pecado; e Cristo tão glorioso para que todos O escolhessem.”

Uma última descrição de seu sermão fornecida por Dr. Owen Thomas sobre Daniel Rowland e sua pregação:

“Ele começaria falando de maneira quieta, mas muito rapidamente, tanto que podia ser difícil segui-lo. Por muitos minutos ele parecia nervoso, sem completa confiança em si, mas gradualmente isso desapareceria e ele se tornaria completamente seguro de si. Ele agora falava mais devagar, porém mais alto e mais poderosamente, tornando-se acalorado a medida que prosseguia e a congregação inteira seria despertada com ele assim que uma sensação de gentil sentimento se espalhasse através da multidão. Agora ele terminou seu primeiro ponto, então abaixa sua voz, dá uma chacoalhada e procede com o segundo tópico. Novamente, ele começa muito lentamente e comedidamente, mas então brevemente acelera e fala com poder e fluência fora do comum. Seus olhos atravessam toda a capela, sua voz levanta, seus sentimentos estão em chamas, seu entusiasmo agora foi pego pelo povo; lágrimas começam a correr sobre a face deles, os calorosos ‘Amens’ caem de seus lábios e eles e o pregador estão em posse de um ao outro. Ele termina seu segundo ponto. Ele desce gradualmente de novo ao tom quieto e medido que ele acha necessário para cada recomeço. (…)

Agora ele levanta novamente trazendo sua congregação com ele para mais altos, mais intensos níves de afeição. Os ‘Améns’ agora são mais altos e mais numerosos. Gritos de Obrigado, Louvado seja Seu nome e Glória são ouvidos em cada canto da capela e multidão inteira na mais aquecida moldura está se regozijando em salvação. Mas o pregador diminui e desce novamente, mais gentil e mais belamente que antes e fornece poucos segundos de descanso para que o povo se acalme com ele, mas ele não terminou, ele começa de novo, mais alto, mais alto…a voz do pregador está agora perdida nos gritos e cânticos da multidão. Ele chega ao fim de uma maneira que só ele mesmo sabe e deixa a congregação em regozijo por algumas horas.”

 

Morgan J., John; Morgan, William. The Calvinistic Methodist Father of Wales. Volume 1. Traduzido para o inglês por John Aaron. Banner of Truth Trust, 2008.

Traduzido com permissão. © Banner of Truth Trust. All rights reserved. Website: www.banneroftruth.co.uk.

Traduzido por Diego de Andrade. afeicoesdoevangelho@gmail.com.

Ver também: Daniel Rowland: O Whitefield do País de Gales – Parte 1

Daniel Rowland: O Whitefield do País de Gales – Parte 2

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O afeições do evangelho foi criado com o propósito de incentivar as pessoas a buscarem conhecer e viver o Evangelho Cristocêntrico, como fizeram uma grande nuvem de testemunhas (Hebreus 12.1) em outras gerações. Solus Christus!
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