A mortificação do pecado nos crentes – John Owen

John Owen (1616 – 1683) em seu livro Sobre a Mortificação dos Pecados nos Crentes fala imagessobre a natureza da mortificação, primeiro negativamente mostrando o que não é, e depois positivamente, o que de fato é mortificação…Bem-vindo às velhas verdades!!!

O que a mortificação não é:

1. A mortificação não é a destruição e a morte absolutas do pecado.

É verdade que o objetivo é esse, mas não será alcançado na vida atual. Ainda que pela graça de Cristo seja possível a certeza de alguns sucesso e vitória extraordinários sobre o pecado, vencendo-o quase constantemente, não se deve esperar nesta vida a sua morte e destruição totais a ponto de ser extinto.

2. A mortificação não é a dissimulação do pecado.

Quando alguém, por razões exteriores, abandona a prática de algum pecado, os outros talvez o vejam como uma pessoa transformada. Mas Deus sabe que essa pessoa acrescentou à sua primeira iniquidade a maldita hipocrisia e agora, mais do que antes, está na trilha certa para o inferno.

3. A mortificação não é o aprimoramento de uma natureza serena e tranquila.

Há pessoas que pela sua constituição natural podem cultivar e aperfeiçoar essas disposição e índole naturais por meio da disciplina, da ponderação e da prudência a ponto de parecerem, a si mesmas e às outras, grandemente mortificadas, embora o coração delas talvez seja a cloaca permanente de toda espécie de abominações. Tais pessoas devem avaliar a própria mortificação por meio daquilo que a índole natural delas não vivifica nem fortalece, expondo-se ao que é estranho a essa índole e terão uma melhor visão de si mesmas.

4. Mortificar não é afastar o pecado.

Alguém pode ser sensível à manifestação de certa concupiscência, poder opor-se ao seu surgimento, cuidar para que ela não irrompa como antes, mas ao mesmo tempo pode deixar que o velho e corrompido hábito se exteriorize de outra maneira. Quem permutou a soberba pelo mundanismo, a sensualidade pelo farisaísmo, a presunção pelo desprezo aos outros, não pense que mortificou o pecado aparentemente abandonado. Tal pessoa só trocou de senhor, mas continua escrava.

5. A mortificação não é a vitória ocasional sobre o pecado.

Quando o pecado tristemente irrompe pertubando-lhe a paz, aterrorizando-lhe a consciência, essas coisas tumultuam e despertam tudo que há na pessoa fazendo-a voltar-se para Deus e clamar por vida… Estando o homem totalmente desperto, espiritual e naturalmente, o pecado recolhe-se na mente fazendo-se de morto diante dele…até que cessem todo barulho e rebuliço estando decidido a repetir o mal em oportunidade semelhante.

O que é mortificação:

1. A mortificação consiste no enfraquecimento habitual do pecado.

A primeira providência na mortificação é o enfraquecimento desse hábito de pecado ou concupiscência para que ele não se erga, conceba, tumultue e provoque violenta, fervorosa e frequentemente com a naturalidade que lhe é própria. Isso é o que se chama de crucificar a carne com as suas paixões e concupiscências. Quer dizer, exaurir o seu sangue e os princípios vitais que lhe dão força e poder: a delibitação do corpo desta morte de dia em dia. (…) É esta a insensatez de algumas pessoas: empenham-se com todo fervor e diligência contra a manifestação da concupiscência, mas se deixarem intocados, e talvez não examinados, o princípio e a raiz, pouco ou nada progridem nessa obra de mortificação.

2. A mortificação consiste da luta e do combate constantes contra o pecado.

Dominar o pecado diariamente com todos os meios dolorosos, mortais e destrutivos para ele é o ápice dessa luta. Que ninguém jamais pense que sua concupiscência esteja morta só porque está quieta, antes continue a se esforçar para lhe infligir novas feridas e golpes todos os dias.

3. A mortificação consiste do sucesso frequente.

Entendo sucesso não como um mero mascaramento do pecado, para que ele não se mostre nem se realize, mas a derrota, o encurralamento dele até a conquista total. Por exemplo, quando de repente o coração surpreende o pecado em ação, seduzindo, alimentando a carne com imaginações, para levar a cabo os desejos dela, aquele captura imediatamente o pecado, levao-o a presença de Deus e do amor de Cristo, condena-o, e em seguida aplica-lhe o castigo máximo.

Mate continuamente o pecado ou ele matará você continuamente!

John Owen. Of Mortification of sin in Believers. 1656.
Tradução para o português por Marcos Vasconcelos. Cultura Cristã. 2010.

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O afeições do evangelho foi criado com o propósito de incentivar as pessoas a buscarem conhecer e viver o Evangelho Cristocêntrico, como fizeram uma grande nuvem de testemunhas (Hebreus 12.1) em outras gerações. Solus Christus!
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