A manhã de George Mueller (1805 – 1898)

Enquanto Morava em Nailsworth, agradou ao Senhor ensinar-me uma verdade, sem mueller-lgrecorrer a instrumento humano, até onde sei, cujo benefício não perdi (…) apesar de terem passado mais de quarenta anos desde então.

O que aprendi foi isso: Vi claramente como jamais antes que o maior e principal assunto com que eu devia ocupar-me todos os dias era ter minha alma feliz no Senhor. A primeira coisa com que preocupar-me não era o quanto eu poderia servir ao Senhor, como eu poderia glorificar ao Senhor, mas como poderia levar minha alma a um estado de felicidade, e como poderia alimentar meu homem interior. Isso porque eu poderia procurar colocar a verdade diante dos não convertidos, poderia procurar proporcionar benefício aos crentes, poderia procurar trazer alívio aos desanimados, poderia de outras maneiras procurar comportar-me como convém a um filho de Deus neste mundo, e mesmo assim, por não ser feliz no Senhor, e não estar sendo alimentado e fortalecido em minha vida interior dia após dia, cuidar de tudo isso sem o espírito correto.

Antes dessa época meu costume fora, pelo menos dez anos antes, dedicar-me habitualmente à oração depois de me vestir de manhã. Agora eu vi que a coisa mais importante a fazer era dedicar-me à leitura da Palavra de Deus e a meditar nela, para que meu coração fosse confortado, encorajado, advertido, acusado, instruído; e que, assim, enquanto eu meditava, meu coração fosse trazido à experiência da comunhão com o Senhor. Por isso, comecei a meditar no Novo Testamento, desde o princípio, de manhã cedo.

A primeira coisa que eu fazia, depois de pedir com poucas palavras a benção do Senhor sobre sua preciosa Palavra, era começar a meditar na Palavra de Deus, investigando, por assim dizer, cada versículo para extrair bênçãos dele; não tendo em vista o ministério público da Palavra, nem com o propósito de pregar sobre o que tinha meditado, mas a fim de obter alimento para minha própria alma. Descobri que o resultado quase invariavelmente é que, depois de uns poucos minutos, minha alma é levada a confessar, ou agradecer, ou interceder, ou suplicar; de modo que, apesar de eu não me dedicar à oração diretamente, mas a meditação, ela se transformava quase imediatamente mais ou menos em oração.

Depois de ficar assim por algum tempo fazendo confissão, ou intercessão, ou súplica, ou dando graças, passo para as próximas palavras ou versículo seguinte, transformando tudo, à medida que continuo, em oração por mim ou por outros, do modo que a Palavra me conduzir; sempre mantendo em vista que alimentar minha própria alma é o objetivo da minha meditação. O resultado disso é que sempre há uma boa parte da confissão, intercessão, súplica ou ação de graças mesclada com minha meditação e que meu homem interior é quase invariavelmente alimentado e fortalecido até perceptivelmente, e que, na hora do café da manhã, com raras exceções, estou com uma disposição pacífica, quando não feliz.

A diferença entre meu costume anterior e o atual é esta: antes, quando eu me levantava, começava a orar o mais rápido possível, e geralmente passava todo o tempo até a hora do café em oração, ou quase todo o tempo. Todos os eventos eu começava quase invariavelmente em oração. (…) Mas qual era o resultado? Eu passava quinze minutos, meia hora, ou até uma hora de joelhos, até tomar consciência de ter recebido consolo, encorajamento, humilhação da alma etc.; e, com frequência, depois de ter sofrido com perda de concentração da mente pelos primeiros dez ou quinze minutos, ou até meia hora, só então eu começava realmente a orar.

Agora, raríssimas vezes eu sofro dessa maneira. Enquanto meu coração está sendo alimentado pela verdade e levado à comunhão experimental com Deus, eu falo com meu Pai, e com meu Amigo (apesar de eu ser mau e indigno disso!) sobre as coisas que ele me apresentou em sua preciosa Palavra.

Com frequência fico perplexo por não ter visto isso antes. Em nenhum livro jamais li sobre isso. Nenhum pregador jamais me apresentou a questão. Nenhuma conversa com um irmão despertou-me para esse assunto. Mesmo assim, agora, desde que Deus ensinou-me essa questão, ficou muito claro para mim que a primeira coisa que um filho de Deus tem de fazer manhã após manhã é buscar o alimento para seu homem interior.

Assim como o homem exterior não está preparado para trabalhar, por pouco tempo que seja, se não ingerirmos alimento, e como essa é uma das primeiras coisas que fazemos de manhã, também deve ser com o homem interior (…) e novamente, não a simples leitura da Palavra para simplesmente fazê-la passar por nossa mente como água que corre por um cano, mas pensando no eu lemos, ponderando e aplicando ao nosso coração.

Depois de ter experimentado esse caminho por mais de quarenta anos, posso recomendá-lo plenamente, no temor de Deus. Que diferença quando a alma foi animada e alegrada de manhã cedo, de quando, sem preparo espiritual, o trabalho, as dificuldades e tentações do dia nos sobrevêm!

Autobiografia de Geoge Mueller, compilada por Fred Bergen.
Extraído do livro Em busca de Deus – a plenitude da alegria cristã. John Piper. Editora Shedd publicações.

Extraído do livro Em busca de Deus – a plenitude da alegria cristã. John Piper. Editora Shedd publicações.

Extraído do livro Em busca de Deus – a plenitude da alegria cristã. John Piper. Editora Shedd publicações.

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O afeições do evangelho foi criado com o propósito de incentivar as pessoas a buscarem conhecer e viver o Evangelho Cristocêntrico, como fizeram uma grande nuvem de testemunhas (Hebreus 12.1) em outras gerações. Solus Christus!
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