Alguém comprado por um Preço – Robert McCheyne

Escolhido não pelo bem em mim,
Despertado da ira para fugir,
Escondido ao lado do Salvador,
Pelo Espírito santificado,
Ensina-me Senhor, em terra para mostrar,
Pelo meu amor, o quanto eu devo.

Infância

Robert Murray McCheyne nasceu em Edimburgo, Inglaterra, em maio de 1813, o filho mcmais novo do procurador líder do Supremo Tribunal de Justiça da Escócia. Seus pais tiveram grande cuidado com o bem-estar espiritual de sua família, e enquanto crescia, Robert desenvolveu um padrão elevado de virtude em toda sua conduta, tanto que seu pai escreveu sobre ele em retrospecto: “Eu nunca o encontrei culpado de alguma mentira ou de qualquer meio ou ação indigna.”Aos quatorze anos, ele ingressou na Universidade de Edimburgo, estudando literatura e poesia, e graduou-se quatro anos mais tarde, em 1831. Robert tinha grande respeito por seu irmão mais velho David, que em retorno se interessava profundamente pela condição espiritual de Robert. Porém uma doença súbita no verão de 1831 resultou na morte de David. Robert sentiu a trágica perda amargamente, especialmente devido ao fato de que seu comportamento virtuoso não trouxe consolo em sua tristeza. Ele procurou por conforto ao buscar Deus através do estudo diligente da Bíblia, até que, em suas próprias palavras, ele foi “levado a Cristo por meio de convicções profundas e permanentes” de que seus pecados foram perdoados e que ele tinha paz com Deus.

Ingresso no Ministério

Logo após sua conversão, em 1831, McCheyne começou a se preparar para o ministério na Igreja da Escócia e iniciou seus estudos de teologia sob os cuidados de Thomas Chalmers, o proeminente teólogo e erudito dos seus dias.
Rapidamente ele dominou latim, grego e hebraico, porém o seu aprendizado tinha unicamente a finalidade de fazer avançar sua compreensão das Escrituras, uma vez que ele não tinha tempo para especulações intelectuais ou controvérsias acadêmicas. Para McCheyne, a sabedoria de todas as eras, como revelada por Deus através da Sua Palavra, ultrapassou em muito as melhores filosofias e teorias concebidas por homens. Seus dias como estudante foram marcados por um rápido crescimento na graça, à medida que as verdades da Escritura eram aplicadas em sua vida, até que ele foi capaz de exclamar: “uma hora serena com Deus vale mais que uma vida inteira com homens.”

Ele também mergulhou nas revistas e escritos de Jonathan Edwards, David Brainerd e Henry Martyn, e anseou que o poder do Espírito Santo que era tão evidente na vida desses homens também fosse concedido a ele. Foi dessa maneira que ele foi levado a iniciar uma obra evangelística em bairros pobres do Edinburgh com seus colegas, no início de 1834.
Consciente da grande responsabilidade da tarefa diante dele, McCheyne registrou, “Iniciei em medo e fraqueza, e grande tremor. Que o poder seja de Deus!” No ano seguinte, ele foi licenciado para pregar pela Annan Presbitery e imediatamente partiu para o que chamou “um privilégio glorioso” de proclamar o evangelho.

Sagrado como Bethel

O ministério de McCheyne em Dundee durou apenas seis anos e foi dividido em dois períodos quase iguais por sua viagem à Terra Santa, em 1839. Desde o início, ele trabalhou sem cessar entre a população das ruas superlotadas. Sua singeleza de coração e mente pode ser vista em sua declaração: “Eu sinto que há duas coisas que é impossível desejar com suficiente ardor: santidade pessoal e a honra de Cristo na salvação da alma”.
Foi essa inseparável combinação de santidade e zelo por ganhar almas que foi a principal característica do ministério de McCheyne. Com efeito, uma autoridade moderna escreveu a seu respeito: “Ele estava convencido de que um ministro diligente deveria esperar o sucesso no serviço de Deus, mas viu que não podia esperar por tal sucesso a menos que estivesse disposto a pregar a Cristo apenas em razão de Cristo.”
McCheyne entendeu plenamente que uma palavra proferida no poder do Espírito Santo poderia realizar mais do que milhares palavras faladas em espírito de descrença, e o selo de Deus sobre seu ministério era tão evidente que um contemporâneo seu observou que a igreja era preenchida com uma sacralidade como a de Betel durante os cultos. Nos seis anos curtos que passou na Igreja de São Pedro, uma congregação de mil e duzentos membros estavam reunidos lá, e no final de sua vida, ele foi capaz de afirmar, sem um traço de arrogância: “Eu acho que posso dizer que nunca levantei uma única manhã sem pensar em como poderia trazer mais almas a Cristo”.

Maravilhosas Obras de Deus

Enquanto McCheyne esteve no exterior, ele deixara William Burns no comando da Igreja de São Pedro em Dundee. McCheyne orou fielmente para que durante o tempo que estivesse fora, Deus honrasse e abençoasse o ministério do jovem pregador. Sem que ele soubesse, um despertar notável varrera a cidade de Kilsyth, onde Burns havia pregado no início do ano. Dois dias depois, Burns voltou a Dundee para prestar contas sobre o reavivamento que havia testemunhado. Enquanto falava do maravilhoso tratar de Deus com o povo de Kilsyth, sua congregação tornou-se consciente do Espírito Santo movendo-se entre eles com grande poder. Muitos foram levados ao arrependimento em lágrimas enquanto outros se alegravam pelo entendimento do perdão dos pecados, foram realizadas reuniões de oração e louvor todas as noites nas semanas seguinte enquanto o despertar continuou na cidade.
Assim foi que McCheyne retornou para casa descobrindo que o reavivamento pelo qual tão sinceramente desejara, já tinha inundado pelas pessoas de Dundee, e na primeira reunião de oração que participou no dia de seu retorno, ele afirmou: “Eu não acho que possa falar por um mês nesta congregação sem ganhar algumas almas.” Antes do despertar de 1839, ele estimou que cerca de sessenta conversões tinham ocorrido durante o seu ministério, mas ele sabiamente absteve-se de exagerar nos frutos do reavivamento e somente afirmou que almas nasciam de novo quando havia evidência inegável de uma nova vida. Além do discernimento espiritual exercido, McCheyne reconheceu que era prerrogativa de Deus comandar bênçãos ou retê-las. Quando objeções foram feitas por alguns contra os choros de contrição e as lágrimas de arrependimento, que surgiram na congregação de sua igreja, McCheyne respondeu com simplicidade: “Eu não tenho dúvidas sobre o nosso dever de declarar a verdade simples de forma marcante, e deixar Deus trabalhar em seus corações à sua própria maneira. Se ele salva de forma silenciosa, estarei feliz, se em meio a choros e lágrimas, ainda assim bendirei Seu nome”.

O quanto eu devo?

O reavivamento aumentou bastante em McCheyne o senso de urgência do Evangelho e em uma ocasião, ele declarou enquanto pregava: “Irmãos, se eu pudesse prometer-lhes que a porta estará aberta por cem anos, ainda assim seria sábio de vocês entrar por ela agora. Mas não posso afirmar por um ano; não posso afirmar por um mês, não posso afirmar por um dia, não posso afirmar por uma hora. Tudo o que posso afirmar é que ela está aberta agora”. Os sermões de McCheyne foram caracterizados por sua fidelidade às Escritura, a ternura infalível em sua ministração e o profundo sentimento de reverência a Deus que brilhou através de toda a sua vida, tudo fornecendo a sua pregação a mais eficaz qualidade. Ele gostava de usar apelos curtos porém diretos aos seus ouvintes: “Se Deus não poupou o seu próprio Filho sob o pecado de outros, como ele te pouparia sob o peso e o fardo do teu próprio pecado? Porque, se ao madeiro verde fazem isto, que se fará ao seco?”

Com Cristo no Alto

Em 25 de março de 1843, sem completar nem 30 anos de idade, McCheyne foi ter com o seu Senhor, e a visão de seu hino mais conhecido foi compreendida:

“Quando eu estiver diante do trono,
Vestido de beleza não minha,
Quando te contemplar como Tu és,
Te amar com coração sem pecado,
Então, Senhor, saberei plenamente,
Não até então,
O quanto eu devo.”

Biografia de Robert Murray McCheyne (1813-1843). Texto Original do site: ActsAmerica

Traduzido por Edmilton Filho. Afeições do Evangelho. O leitor tem permissão para reproduzir o conteúdo desse website desde que não o altere, informe os créditos de autoria e tradução, e não use para fins comerciais.

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