Jonathan Edwards: Narrativa Pessoal de Conversão – Parte 2

Às vezes, só a menção de uma única palavra, ou apenas ver o nome deJonathan_Edwards Cristo, ou de algum atributo de Deus, fazia meu coração arder intensamente dentro de mim. E Deus pareceu-me glorioso, por conta da Trindade. Isso me fez ter exultantes pensamentos de Deus, o qual subsiste em três pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo. As mais doces alegrias e prazeres que experimentei, não foram as que surgiram a partir de uma esperança nos meus próprios bens materiais, mas em uma visão direta das coisas gloriosas do evangelho. Quando eu desfruto deste prazer, isso parece levar-me além dos pensamentos sobre minhas propriedades. Nestas ocasiões, todas as coisas que possuo parecem-me uma perda, de modo que eu não posso suportar, pois tais coisas tiram o meu foco do glorioso e fazem voltar meus olhos para mim mesmo e para meus próprios bens materiais.

Meu coração tem estado intensamente no avanço do reino de Cristo no mundo. As histórias do avanço do reino de Cristo que ocorreram no passado tem sido aprazível para mim. Quando leio histórias de épocas passadas, a coisa mais agradável em toda a minha leitura tem sido, ler sobre o reino de Cristo sendo promovido. E quando eu espero, na minha leitura, encontrar tais acontecimentos, eu me regozijo com a perspectiva durante todo o tempo em que eu leio. E minha mente tem sido muito entretida e encantada com as promessas das escrituras e profecias, que se relacionam com o glorioso futuro avanço do reino de Cristo na terra.

Eu tenho tido por vezes um senso da excelência da plenitude de Cristo, sua mansidão e sua suficiência como Salvador, por meio da qual Ele tem se mostrado pra mim, muito acima de tudo, o chefe dos dez milhares. Seu sangue e expiação tem surgido de forma agradável, e sua doce justiça, que sempre me foi acompanhada de uma ardência de espírito, e lutas e respirações internas, e gemidos inexprimíveis, para ser esvaziado de mim mesmo, e consumido em Cristo.

Certa vez, quando eu cavalgava pela floresta por minha saúde, em 1737, depois de ter descido do meu cavalo num lugar retirado, como comumente tenho feito, para fazer caminhadas para a contemplação divina e oração, tive uma apreensão que para mim foi extraordinária, da glória do Filho de Deus, como mediador entre Deus e o homem, e sua maravilhosa, grande, plena, pura e agradável graça e amor, e mansa e gentil condescendência. Esta graça que me parecia tão calma e doce, também parecia-me grandiosa, acima dos céus. A pessoa de Cristo revelou-se inefavelmente excelente, com uma excelência grandiosa o suficiente para engolir todo o pensamento e concepção… que continuou tão perto quanto eu possa julgar, por cerca de uma hora, e que me manteve a maior parte do tempo em uma torrente de lágrimas, chorando em alta voz. Senti um ardor na alma para ser (o que eu não sei como expressar de outra forma) esvaziado e aniquilado; estar no pó, e ser cheio de Cristo só, e amá-lo com um amor santo e puro, confiar nEle, viver nEle, servi-lo e segui-lo, e ser perfeitamente santificado e puro, com uma pureza divina e celestial. Eu tive por várias outras vezes uma sensação da mesma natureza, e que tiveram os mesmos efeitos.

Tive diversas vezes um senso da glória da terceira pessoa da Trindade, em sua atribuição de Santificador; em suas operações santas, comunicando luz divina e vida à alma. Deus, nas comunicações de seu Espírito Santo, tem se mostrado como uma fonte infinita de glória divina e doçura; com plenitude, e suficiencia para encher e satisfazer a alma, derramando-se em suaves demonstrações, como o sol na sua glória, docemente e agradavelmente difundindo luz e vida. E eu às vezes tinha um sentimento, que muito me afetava, da excelência da palavra de Deus, como uma palavra de vida; como a luz da vida, uma doce e excelente palavra vivificante; acompanhada de uma sede dessa palavra, e que ele pudesse habitar ricamente em meu coração.

Muitas vezes, desde que passei a viver nesta cidade, eu tenho tido percepções muito profundas de minha própria pecaminosidade e depravação; muito frequentemente com tal intensidade a ponto de levar-me a permanecer chorando amargamente, sensações que por vezes me acompanham por um tempo considerável, pelo que muitas vezes eu tenho sido compungido a encerrar-me ao silêncio Eu tenho tido uma compreensão muito maior de minha própria iniquidade e da maldade do meu coração, a qual nunca tive antes da minha conversão. Muitas vezes me pareceu que, se Deus tivesse que avaliar toda minha iniquidade, eu provavelmente me mostraria o pior em toda a humanidade; de tudo que já existiu, desde o início do mundo até agora; e que eu deveria ter, de longe, o lugar mais baixo no inferno. Quando outros, que vinham falar comigo sobre suas preocupações com relação à suas almas, expressavam a sensação que tinham de sua própria maldade, dizendo que parecia a eles, que eles eram tão ruins quanto o próprio diabo; Eu imaginava que suas declarações pareciam demasiadamente fracas e débeis, para poder representar a minha maldade.

Minha perversidade, como eu realmente sou, há muito tempo pareceu-me perfeitamente inefável, e engolindo todo o pensamento e imaginação, como um dilúvio infinito ou montanha sobre a minha cabeça. Eu não sei como expressar melhor o que meus pecados me parecem ser, além de descrevê-los como amontoando infinito sobre infinito, e multiplicando infinito por infinito. Muitas vezes, ao longo destes muitos anos, essas expressões estão em minha mente e em minha boca, “infinito sobre infinito…infinito sobre infinito!” Quando eu olho para o meu coração, e enxergo minha iniquidade, parece um abismo infinitamente mais profundo do que o inferno. E parece-me, que se não fosse pela graça gratuita, exaltada e elevada à altura infinita de toda a plenitude e glória do grande Jeová, e o braço de seu poder e graça, estendido adiante em toda a majestade do seu poder e, em toda a glória de sua soberania, eu me mostraria afundado em meus pecados abaixo do próprio inferno; muito além da vista de todas as coisas, mas sob o olhar da graça soberana, que pode perfurar até mesmo tal profundidade. E, no entanto, parece-me, que a minha convicção de pecado é tão excessivamente pequena e tímida que é o suficiente para me surpreender com o fato que eu não tenho mais real compreensão dele. Eu sei certamente, que a compreensão do meu pecado é limitada. Nas vezes que tive momentos de alternâncias de choro e mais choro pelos meus pecados eu imagino que reconhecia naqueles momentos, que o meu arrependimento não era nada comparado ao meu pecado.

Eu muito ansiei de forma tardia, por um coração quebrantado e por permanecer silenciosamente diante de Deus. Quando eu peço por humildade, não posso suportar a ideia de não ser mais humilde do que outros cristãos. Parece-me que, embora seus graus de humildade possam ser adequados para eles, seria, entretanto, auto-exaltação vil em mim, não ser o menor em humildade em toda a humanidade. Outros falam de seu desejo de serem “humildes até o pó”, que pode ser uma expressão adequada para eles, mas eu sempre penso sobre mim mesmo, que eu devo (e essa é uma expressão que tem me parecido tão natural que tenha a usado em minhas orações, “descansar infinitamente manso e submisso diante de Deus”. E isso me leva a pensar como eu fui ignorante quando eu era ainda um jovem cristão, e sobre as sem fim, profundezas infinitas da impiedade, orgulho, hipocrisia e falsidade, dentro do meu coração.

Eu tenho uma compreensão muito maior de minha total dependência da graça e poder de Deus, e um mero agradável prazer muito maior do que eu costumava ter antes, e experimento uma aversão ainda maior à minha justiça própria. Qualquer pensamento de alegria surgindo em mim em consideração à minha própria amabilidade, performances, ou experiências, ou qualquer bondade de coração ou vida, é nauseante e detestável para mim. E ainda estou muito aflito com um espírito orgulhoso e auto-suficientemente justo, muito mais sensato do que eu costumava ser anteriormente. Eu vejo aquela serpente subindo e colocando sua cabeça continuamente, em toda parte, ao meu redor.

Embora me pareça que, em alguns aspectos, eu era um cristão muito melhor, por cerca de dois ou três anos após minha primeira conversão, do que eu sou agora; e vivia em mais firme prazer e alegria; no entanto, nos últimos anos, eu tive uma compreensão mais plena e constante da soberania absoluta de Deus, e um prazer nela; e pude ter um entendimento ainda maior da glória de Cristo, como o mediador revelada no evangelho. Em uma noite de sábado, em particular, eu tive descoberta tão profunda da excelência do evangelho acima de todas as outras doutrinas, que eu não podia deixar de dizer a mim mesmo: “Esta é a minha luz escolhida, minha doutrina escolhida;” e de Cristo, “Este é o meu Profeta escolhido.” Seguir a Cristo parecia doce, mais profundo que qualquer palavra, e ser ensinado, e iluminado, e instruído por ele, aprender dEle, e viver para Ele. Outra noite de sábado (janeiro 1739), eu senti tão forte, que coisa agradável e abençoada era andar no caminho da obediência; para fazer o que era certo e digno de ser feito, e agradável para a mente santa de Deus; que me fez irromper em uma espécie de choro em alta voz, que me prendeu por algum tempo, de modo que eu fui forçado a fechar-me, e trancar as portas. Eu não podia fazer nada além, de por ser verdade, gritar: “Como são felizes os que estão fazendo o que é correto aos olhos de Deus! Eles são abençoados na verdade, eles são os únicos felizes!” Tive, ao mesmo tempo, uma sensação muito forte, como perfeito e adequado era o fato de que Deus governa o mundo, e organiza todas as coisas de acordo com seu próprio prazer; e me alegrei nisso, que Deus reina, e que sua vontade é feita.

Traduzido por Raphael Christian M. Pereira. afeicoesdoevangelho.wordpress.com.

Ver Jonathan Edwards: Narrativa Pessoas – Parte 1

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O afeições do evangelho foi criado com o propósito de incentivar as pessoas a buscarem conhecer e viver o Evangelho Cristocêntrico, como fizeram uma grande nuvem de testemunhas (Hebreus 12.1) em outras gerações. Solus Christus!
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