Porque Devemos conhecer a Deus?

“Entendo por conhecimento de Deus não só o conceber que algo seja Deus, mas também compreender o que, no conhecimento acerca d’Ele, nos convém saber, o que é de útil para Sua glória e, por fim, o que é necessário. (…) Com efeito, até que os homens não sintam que devem todas as coisas a Deus, que são favorecidos pelo seu cuidado paterno, que Ele é o autor de todos os bens, de modo que nada deva ser buscado fora d’Ele, jamais se sujeitarão a Ele por uma observância voluntária, pelo contrário; a menos que erijam n’Ele uma sólida felicidade para si, jamais se aproximarão completamente d’Ele de modo verdadeiro e com sinceridade de alma” João Calvino

Deus, através de sua revelação geral (criação) e específica (escrituras), não somente aponta a razão para todas as coisas, como também oferece instruções práticas e modelos de como podemos (e devemos) viver e agir de modo digno[1]. Através do conhecimento de Deus, entendemos quem realmente somos, como podemos ser salvos da condenação eterna por nossos atos pecaminosos e para que aprendamos a descansar nas promessas eternas, através da “paz que excede todo entendimento”[2]. Através do conhecimento de Deus e sua maravilhosa obra ao longo da história, podemos ter paz em Cristo e, mesmo que no mundo passemos por aflições, poderemos ter bom ânimo, pois Cristo venceu o mundo[3].

              “(A mente piedosa), Tendo assim conhecido a Deus, e como entende que por Ele é completamente governada, confia que Ele seja para si um tutor e protetor e, por isso tem n’Ele tão grande fé. Como entende que Ele é o autor de todos os bens, se algo a oprime, se lhe falta algo, logo se refugia em sua proteção, esperando que a ampare. Como está convencida de que Ele é bom e misericordioso, entrega-se a Ele com plena confiança, e não duvida que sempre haverá um remédio para todos os seus males na clemência d’Ele” João Calvino

Além disso, estudamos sobre Deus e o que revelou a nós, para que possamos cumprir os seus mandamentos, para sua honra e glória, pois o próprio Senhor “…nos ordenou cumpríssemos todos estes estatutos e temêssemos o Senhor, nosso Deus, para o nosso perpétuo bem, para nos guardar em vida, como tem feito até hoje” (Dt 6.24). A palavra de Deus ainda nos diz para sermos santos como Deus é santo[4]. Tornamo-nos parecidos e somos moldados diariamente por aquilo que ocupa as nossas mentes, tempo e corações. Por isso devemos nos encher de Deus, para que ao menos possamos refletir uma ínfima parcela da glória de Cristo e possamos nos tornar mais semelhantes àquilo que realmente somos, àquilo para o qual Deus nos criou. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus, e é, portanto em Deus, que podemos desvendar nosso verdadeiro eu. É incrível pensar que não vamos encontrar quem realmente somos dentro de nós mesmos, mas naquEle que nos criou. Ele nos conhece melhor do que nós mesmos e pode transformar até o pior desígnio de nossos corações. Além disso, sabemos que o objetivo de todo cristão deve ser se tornar como Cristo, justo e irrepreensível, não para sua própria glória, mas para a glória de Deus, “Porque dEle, e por meio dEle, e para Ele são todas as coisas. A Ele a glória eternamente. Amém” (Rm 11.36). Em ultima análise, a nossa motivação em conhecer a Deus é a glória do próprio Deus, afinal de contas, quer comamos ou bebamos, ou façamos qualquer coisa, devemos fazê-lo para glória de Deus[5].

Estudamos as escrituras porque através dela podemos enxergar as coisas como elas realmente são. Assim como C.S. Lewis certa vez afirmou, “Eu creio no Cristianismo tal como creio que o Sol nasceu, não apenas porque o vejo, mas porque através dele eu vejo todas as outras coisas”. Ora, uma vez que a fé vem da pregação da palavra de Deus[6], certamente é impossível crer se não conhecermos a palavra, e não é possível ser um cristão autêntico sem fé, e se pelo cristianismo podemos enxergar com coerência todas as coisas, então vemos como todas as coisas estão interligadas e como seremos cegos sem conhecer as escrituras. O autor de Hebreus, divinamente inspirado, afirma “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam” (Hb 11.6). Conhecer a Deus e crer nEle é uma necessidade de todo homem. Portanto, pensemos nas coisas que são do alto e não nas que são aqui da terra; porque morremos e nossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus[7], para que possamos prosseguir para o alvo, que é o próprio Cristo[8].

No fim das contas, ou melhor, antes de qualquer coisa, somente Deus vai preencher o vazio que há em nosso coração. Só Ele pode responder nossas mais profundas e complicadas perguntas e questionamentos. Só Ele pode nos dar paz quando tudo em nossa volta parece estar caindo em pedaços. Prosseguir para o alvo aponta o sentido das nossas vidas, uma vez que, sem um alvo definido, qualquer caminho basta e qualquer destino é valido. Podemos concluir que sem Cristo, não há sentido para a vida, estamos todos submetidos a forças aleatórias e somos nada mais do que fruto de um acidente cósmico, estatisticamente improvável.

“O desejo interior que nós temos pelo infinito jamais será satisfeito pelo que é finito. O desejo pelo que é eterno jamais será satisfeito pelo temporal. Esse espaço no coração do homem que é do tamanho de Deus só pode ser preenchido por Deus. Existem formas básicas pelos quais os homens tem buscado satisfação e uma delas é o materialismo. Ele diz que a felicidade está no dinheiro e nas coisas, mas ninguém fica feliz ao acrescentar posses. Jesus diz que a vida do homem não consiste nas suas posses e Paulo disse que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Então, a felicidade não está no dinheiro”[9] Norman Geisler

Deus nos deu vida, estando nós mortos em nossos delitos[10], há algo mais maravilhoso do que isso? Ele nos resgatou de um poço de perdição, de um tremedal de lama, e colocou-nos os pés sobre uma rocha, para firmar nossos passos[11]. Ora, o próprio Cristo é essa rocha, e a palavra de Deus nos leva ao pleno conhecimento dEle, mediante àquilo que nos foi revelado. E, se através de Cristo podemos ver o Deus invisível[12], e se é por meio de Cristo que todas as coisas encontram propósito, Cristo deve ser o centro de toda nossa teologia, sem Cristo, não há sentido estudarmos ou fazermos qualquer coisa. E ao depositarmos nossas esperanças em Cristo, podemos ter a plena convicção de que certamente não nos lançará fora, e no dia da consumação dos tempos, seremos ressuscitados para vida eterna[13].

[1] Efésios 4.1-6
[2] Filipenses 4.7
[3] João 16.33
[4] Lv 11.44-45, 1 Pd 1.16b
[5] 1 Corintios 10.31
[6] Romanos 10.17
[7] Colossenses 3.2-3
[8] Filipenses 3.14
[9] Norman Geisler em 9 Razões Porque Devemos Conhecer a Deus
[10] Efésios 2.5
[11] Salmos 40.2
[12] Colossenses 1.15
[13] João 6.37-40

Por Raphael Christian Marins Pereira. afeicoesdoevangelho@gmail.com

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