Ao Leitor

Caro leitor,

O título desse website foi inspirado no livro de Jonathan Edwards: Tratado Sobre Afeições Religiosas cujo resumo da obra em português é: A Genuína Experiência Espiritual. Para que você compreenda mais o que queremos dizer com isso deixamos aqui alguns pontos importantes tratados no livro e recomendamos sua leitura.

A NATUREZA DAS EMOÇÕES E SUA IMPORTÂNCIA NO CRISTIANISMO

“a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória.” (1 Ped. 1:8)

Pedro nota duas coisas sobre essa alegria. Primeiro, ele nos fala da origem dela. Ela resultou da fé. “Não vendo agora, mas crendo, exultais.” Segundo, ele descreve a natureza dessa alegria: “alegria indizível e cheia de glória.” Era alegria indizível, por ser tão diferente das alegrias do mundo. Era pura e celeste; não havia palavras para descrever sua excelência e doçura. Era também inexprimível quanto à sua extensão, pois Deus havia derramado tão livremente essa alegria sobre Seu povo sofredor.

Depois, Pedro descreve essa alegria como sendo “cheia de glória.” Essa alegria enchia as mentes dos cristãos, ao que parecia, com um brilho glorioso. A doutrina que Pedro nos está ensinando é a seguinte: A Religião verdadeira consiste principalmente em emoções1 santas.
Nesse ponto pode-se perguntar: “O que exatamente quer dizer quando fala sobre emoções?” Respondo da seguinte forma: “Emoções são as ações mais vivas e intensas da inclinação da alma e da vontade.”

Quem pode negar que a verdadeira religião consiste principalmente em emoções – em ações vigorosas e enérgicas da vontade? A religião requerida por Deus não consiste em desejos fracos, opacos e sem vida, elevando-nos somente um pouco acima da apatia. Em Sua Palavra, Deus insiste muito que sejamos sérios, espiritualmente dinâmicos e que nossos corações se envolvam vigorosamente no cristianismo.

Deus, que nos criou, não só nos deu emoções, porém fê-las a própria causa de nossas ações. É por isso que muitas pessoas ouvem a Palavra de Deus falando-lhes sobre coisas infinitamente importantes – sobre Deus e Cristo, pecado e salvação, céu e inferno – e ainda assim não há mudança em sua atitude ou comportamento. A razão é simples: o que ouvem, não as afeta.

A Escritura por toda parte fala sobre emoções como o medo – o temor do Senhor como a parte mais importante da religião. Esperança – em Deus e em Suas promessas (1 Cor 13:13; Hb 6:19). Desejo – expresso em anseio, fome e sede por Deus (Is 26:8; Sl 63:1). Alegria – como uma grande parte da verdadeira religião (Sl 97:12; Fl 4:4; Gl 5:22)). Pesar – contrição e coração quebrantado (Mt 5:4; Sl 51:17). Gratidão – expressa no louvor a Deus principalmente nos Salmos. Misericórdia – essencial na verdadeira religião (Mt 5:7; Cl 3:12). Zelo – Cristo tinha a realização disso em mente quando morreu por nós (Tito 2:14). O ódio pelo pecado – “O temor do Senhor consiste em aborrecer o mal” (Prov. 8:13). O amor – no qual a verdadeira religião se resume (Mt 22:37-40; Rm 13:10; 1 Cor 13).

Aprendemos quão grande erro é rejeitar todas as emoções espirituais como se não houvesse nada de sólido nelas. Este erro pode surgir após um avivamento religioso. Tendo em vista que as emoções vivas de tantas pessoas parecem desaparecer completamente tão depressa, as pessoas começam a desprezar todas as emoções espirituais, como se o cristianismo não tivesse nenhuma relação com elas. O outro extremo é ver todas as emoções religiosas vigorosas como sinais de conversão verdadeira, sem inquirir sobre a natureza e fonte dessas emoções. Se as pessoas simplesmente parecem ser muito calorosas e cheias de loquacidade espiritual, os outros concluem que devem ser cristãos piedosos.

AQUILO QUE NÃO PROVA QUE NOSSAS EMOÇÕES VÊM DE UMA VERDADEIRA EXPERIÊNCIA DE SALVAÇÃO

Emoções religiosas podem ser naturais ou espirituais na sua origem. Podem existir em pessoas que não são salvas, assim como naquelas que são verdadeiramente convertidas. Por isso examinemos:

1. EXPERIÊNCIAS FORTES E VIVAS NÃO PROVAM QUE NOSSAS EMOÇÕES SEJAM ESPIRITUAIS OU NÃO.

Por outro lado, o fato de nossas emoções serem fortes e vivas não prova que sejam verdadeiramente espirituais em sua natureza. As Escrituras nos mostram que as pessoas podem se tornar excitadas sobre religião, sem serem verdadeiramente salvas. O povo de Israel no deserto e a multidão em Jerusalém são exemplos disso.

2. O FATO DE NOSSAS EMOÇÕES PRODUZIREM GRANDE CALOR E DISPOSIÇÃO PARA FALAR SOBRE O CRISTIANISMO NÃO PROVA QUE SEJAM ESPIRITUAIS OU NÃO.

Não há, nas Escrituras, lugar que afirme que a linguagem espiritual seja um verdadeiro sinal de conversão. Pode ser simplesmente a religião da boca, que é simbolizada nas Escrituras pelas folhas de uma árvore. Nenhuma árvore deveria estar sem folhas, no entanto estas não provam que a árvore seja boa. A prontidão em falar sobre coisas espirituais pode vir porque a pessoa está com o coração pleno de emoções santas ou pode ser resultado de seu curacao estar cheio de emoções que não sejam santas.

3.  EMOÇÕES QUE NÃO SÃO PRODUZIDAS POR NOSSO PRÓPRIO ESFORÇO PODEM SER OU NÃO ESPIRITUAIS.

Algumas pessoas tentam provar que suas emoções são do Espírito Santo com o seguinte argumento: “Não produzi esta experiência por mim mesmo. A experiência veio a mim quando não a estava buscando.” Uma experiência que não venha de nós mesmos pode vir de um espírito falso. Existem muitos espíritos falsos que se disfarçam como anjos de luz (II Cor. 11:14).

4. SE NOSSAS EMOÇÕES NOS LEVAM A DESPENDER MUITO TEMPO NOS DEVERES EXTERNOS DO CULTO CRISTÃO, AÍ NÃO HÁ PROVA QUE SEJAM OU NÃO ESPIRITUAIS.

Os judeus, no tempo de Isaías, eram entusiásticos na adoração. Tinham muitos sacrifícios, assembléias, festivais e orações. Todavia, os seus corações não estavam de bem com Deus, e Deus lhes diz que abomina a sua adoração. (Is 1:12-15).

5 NÃO PODEMOS SABER SE AS EMOÇÕES DE ALGUÉM SÃO ESPIRITUAIS OU NÃO, SOMENTE POR SEU RELATO COMOVENTE.

Nenhum cristão pode distinguir infalivelmente entre crentes verdadeiros e falsos. Um cristão pode sondar o seu próprio coração, mas não pode sondar os corações dos outros. Tudo o que podemos ver nos outros é a aparência exterior. As Escrituras ensinam claramente que nunca podemos julgar infalivelmente o coração de uma pessoa através de sua aparência (I Sam. 16:7).

OS SINAIS QUE DISTINGUEM VERDADEIRAS EMOÇÕES ESPIRITUAIS

1. EMOÇÕES ESPIRITUAIS SURGEM DE INFLUÊNCIAS ESPIRITUAIS, SOBRENATURAIS E DIVINAS NO CORAÇÃO.

A principal razão para que as Escrituras chamem os cristãos e suas virtudes de “espirituais” é a seguinte: o Espírito Santo produz nos cristãos resultados que se harmonizam com a verdadeira natureza do próprio Espírito.

2. O PROPÓSITO DE EMOÇÕES ESPIRITUAIS É A BELEZA DAS COISAS ESPIRITUAIS, NÃO O NOSSO PRÓPRIO INTERESSE.

A causa mais profunda do verdadeiro amor a Deus é a suprema beleza da natureza divina.

3. EMOÇÕES ESPIRITUAIS SURGEM DA COMPREENSÃO ESPIRITUAL

Neste ponto, quero enfatizar que há uma grande diferença entre o conhecimento doutrinário e conhecimento espiritual. Conhecimento doutrinário envolve somente o intelecto, porém o conhecimento espiritual é um sentimento do coração pelo qual vemos a beleza da santidade na doutrina cristã. Conhecimento espiritual sempre envolve o intelecto e o coração ao mesmo tempo. Precisamos entender intelectualmente o que significa uma doutrina das Escrituras, e degustar a santa beleza desse significado com nosso coração.

4. EMOÇÕES ESPIRITUAIS SEMPRE COEXISTEM COM A HUMILHAÇÃO ESPIRITUAL.

Examine a si mesmo. Se concluir, “Parece-me que ninguém é tão pecador quanto eu”, não fique satisfeito com isso. Você pensa ser melhor do que os outros por admitir que é tão pecador? Tem uma alta opinião dessa sua humildade? Se você diz: “Não, eu não tenho uma opinião elevada de minha humildade, penso que sou tão orgulhoso quanto o diabo'”, então examine-se de novo. Porventura você está orgulhoso do fato que não tem uma opinião elevada sobre sua humildade? Você pode ter orgulho de admitir quão orgulhoso você é!

5. AS VERDADEIRAS EMOÇÕES ESPIRITUAIS PRODUZEM UM DESEJO POR SANTIDADE MAIS PROFUNDA, DIFERENTEMENTE DAS EMOÇÕES FALSAS AS QUAIS SE SATISFAZEM EM SI MESMAS.

Nota: 1. A palavra afeição em seu tratado “A treatise concerning religious affections” foi traduzida por emoção, por ser o que J. Edwards tinha em mente ao escrever seu clássico.  (N.R. Needham)

By Jonathan Edwards. A Genuína Experiência Espiritual. Tradução do inglês: Mareia Serra Ribeiro Viana. Editora PES, 1993.

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